As profundas e rápidas transformações sociais e tecnológicas vividas nas últimas décadas exigem um esforço contínuo de adaptação por parte das instituições públicas, com destaque para o sistema de justiça brasileiro. A avaliação foi feita pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, durante sua participação na abertura de um importante evento jurídico na capital federal.
O magistrado esteve presente na cerimônia inaugural do XXIX Congresso Internacional de Direito Constitucional, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Em seu discurso aos presentes, Salomão centrou sua análise no papel fundamental exercido pelo Direito Constitucional, apontando-o como a base sólida que sustenta todo o ordenamento jurídico do país em momentos de transição.
Durante a exposição, o presidente do STJ chamou a atenção para as mudanças estruturais que vêm ocorrendo em diversos âmbitos da vida em comunidade, abrangendo desde novas configurações familiares e dinâmicas empresariais até transformações no interior de hospitais, quartels, movimentos sociais e no cenário político nacional e internacional. Para o ministro, a soma desses fatores desenha um novo panorama civilizatório.
Max Rocha/STJSalomão falou sobre os desafios do Judiciário em congresso de Direito Constitucional
Diante desse cenário de transição para uma economia globalizada e cenários regionais distintos, o magistrado enfatizou que o aparelho judiciário nacional necessita passar por aprimoramentos constantes. O objetivo principal dessa evolução institucional é garantir que os órgãos julgadores estejam plenamente capacitados para absorver e solucionar os novos litígios gerados por essa realidade dinâmica.
Para ilustrar a dimensão do desafio enfrentado pelos operadores do direito, o ministro recorreu a uma célebre analogia formulada pelo renomado civilista francês Jean Carbonnier. Na visão destacada pelo presidente do STJ, a humanidade frequentemente atravessa períodos marcados por uma angústia histórica, nos quais os cidadãos percebem, ainda que de maneira difusa, que estão sendo impelidos em direção ao futuro e obrigados a dar respostas inéditas.
A partir dessa perspectiva, o magistrado pontuou que os intérpretes da Constituição, os profissionais da área jurídica e todos os envolvidos na engrenagem da Justiça encontram-se diante de uma convocação para a reinvenção profissional e institucional. Trata-se de um momento crucial em que a reflexão crítica e a capacidade de adaptação se tornam ferramentas indispensáveis para acompanhar os rumos da sociedade moderna.
Fonte:: conjur.com.br


