Novos rumos para o transporte coletivo de Curitiba com foco em transparência e inovação

Redação Rádio Plug
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Tempo de deslocamento pelo transporte coletivo ...

A capital paranaense se prepara para uma transformação significativa em sua rede de mobilidade urbana com o lançamento do edital para a nova concessão do transporte coletivo. O modelo reformulado foi detalhado durante um evento online organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que reuniu representantes de empresas do setor e de eletromobilidade para apresentar as diretrizes e atrair investidores interessados no leilão.

Com um formato que busca modernizar a prestação de serviços na cidade, a nova modelagem contratual introduz mecanismos rigorosos de governança, compliance e auditoria independente. A proposta visa assegurar o rastreamento da estrutura societária das empresas participantes, impondo barreiras desde a fase de habilitação até o monitoramento contínuo da aplicação dos recursos públicos ao longo dos 15 anos de vigência dos futuros contratos.

Durante a apresentação realizada para mais de cem participantes, autoridades municipais destacaram que a iniciativa consolida a tradição do sistema curitibano de transporte ao incorporar novas tecnologias e exigências de sustentabilidade. A parceria entre a administração municipal e a iniciativa privada busca garantir atratividade aos negócios, preservando a segurança jurídica e financeira para os investidores que desejam atuar no projeto.

Cronograma e etapas do leilão na B3

O aviso oficial da licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado no mês de agosto, dando início formal ao processo de concorrência pública. As empresas e consórcios interessados em participar do certame deverão entregar as propostas formais em novembro, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, local onde também ocorrerá o leilão definitivo para definir os vencedores de cada lote da concessão.

O projeto estruturado pelo BNDES em conjunto com órgãos técnicos da prefeitura substitui os acordos vigentes e institui o Sistema Integrado de Mobilidade, mantendo as bases da tradicional Rede Integrada de Transporte. No total, o edital foi dividido em cinco lotes distintos, estimando um montante de investimentos que chega a R$ 3,9 bilhões ao longo do período contratual, abrangendo tanto a renovação e ampliação da frota quanto melhorias na infraestrutura física do sistema.

Rigor na gestão financeira e controle de bilhetagem

Um dos pilares centrais da nova concessão é a separação entre a operação dos serviços e a gestão financeira da arrecadação. De acordo com as diretrizes estabelecidas, o controle da bilhetagem permanecerá integralmente sob a responsabilidade do Poder Concedente, garantindo que os recursos oriundos da tarifa sejam direcionados diretamente ao Fundo de Urbanização de Curitiba sem qualquer interferência direta das empresas concessionárias.

Além disso, o formato prevê exigências contábeis mais transparentes, obrigando as operadoras a submeterem suas demonstrações financeiras a auditorias independentes regulares. A medida serve como instrumento preventivo para mitigar riscos, ampliar a rastreabilidade do dinheiro público e assegurar que os investimentos previstos sejam executados conforme as metas estabelecidas no edital.

Qualidade do serviço e avaliação dos passageiros

A remuneração das empresas operadoras deixará de se basear apenas em critérios operacionais tradicionais e passará a incorporar a avaliação direta dos usuários. O projeto institui um Sistema de Gestão da Qualidade que considera três eixos fundamentais: o estado da frota, a eficiência da operação e o índice de satisfação coletada junto aos passageiros.

Dessa forma, a percepção de quem utiliza o transporte diariamente refletirá diretamente nos indicadores de desempenho, criando um vínculo direto entre a qualidade do atendimento prestado à população e o retorno financeiro obtido pelas concessionárias ao longo da operação diária nas linhas estruturais e alimentadoras.

Eletrificação da frota e novos investimentos

O plano de modernização prioriza a transição energética do sistema de transporte de Curitiba, com foco na introdução gradual de veículos movidos a eletricidade. O planejamento prevê a incorporação progressiva de centenas de ônibus elétricos até o início da próxima década, concentrando os novos veículos nas linhas de maior demanda para garantir que uma parcela expressiva da oferta de lugares seja atendida por tecnologia limpa.

Para viabilizar a infraestrutura necessária, o projeto conta com aportes substanciais destinados à recarga dos veículos e à construção de eletropostos públicos em pontos estratégicos da cidade, permitindo o reabastecimento rápido da frota durante a jornada de trabalho. A prefeitura também previu recursos de subvenção municipal para apoiar a aquisição dos novos ônibus e a estruturação dos terminais.

Com a conclusão da fase de apresentação para o mercado, o cronograma prevê a realização de reuniões individuais entre os técnicos do BNDES e os potenciais investidores, permitindo o esclarecimento de dúvidas pontuais sobre o edital antes da entrega oficial dos envelopes e da realização do leilão na Bolsa de Valores.

Fonte:: bemparana.com.br

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