O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), localizado a cerca de quatro horas de Curitiba, voltou a integrar oficialmente os roteiros de visitação de uma de suas atrações mais impressionantes e desafiadoras. Trata-se da Caverna Desmoronada, que permaneceu fechada ao público durante 15 anos para a realização de estudos aprofundados e planejamento de conservação ambiental.
Com um trajeto considerado de alta dificuldade, a nova experiência subterrânea exige preparo físico e disposição dos visitantes. O roteiro completo abrange aproximadamente 10 quilômetros de trilhas na superfície combinados com cerca de 900 metros de percurso subterrâneo. A duração média da atividade é de oito horas, somando os trechos de ida e volta, e a entrada no local requer agendamento prévio, além da contratação obrigatória de um monitor ambiental autônomo credenciado.
Formação geológica única e grandes salões
O nome da cavidade remete diretamente à sua gênese geológica. O interior da atração é marcado por enormes blocos rochosos originados por antigos abatimentos naturais de teto, configurando imensos salões, galerias de formatos irregulares, desníveis acentuados e passagens desafiadoras. Ao longo de milênios, a ação constante da água subterrânea também atuou na modelagem de corredores e na expansão da estrutura rochosa.
Em trechos específicos da travessia, a ressurgência de um rio subterrâneo cruza a cavidade, enriquecendo a vivência dos aventureiros. Já nas galerias situadas na parte superior, é possível contemplar espeleotemas — formações minerais milenares como estalactites, estalagmites, colunas, cortinas e travertinos. Entre os pontos de maior apelo visual estão uma imponente coluna central e o Pórtico do Vale das Ilusões, uma abertura natural que interliga os grandes salões superiores.
Os visitantes podem optar por duas modalidades distintas de roteiro. No circuito tradicional, a entrada e a saída acontecem pela mesma abertura, percorrendo os salões superiores até o Pórtico do Vale das Ilusões. Por outro lado, o circuito de travessia tem início na área da ressurgência fluvial, avança por uma subida íngreme entre blocos rochosos e inclui uma escalaminhada interna até os salões mais altos, culminando na saída por uma abertura diferente da cavidade.

Rigvidor rigor de segurança e preservação
Devido à complexidade do terreno e ao grau de exigência física, a operação turística na Caverna Desmoronada obedece a rígidos protocolos de segurança. O acompanhamento integral por monitores ambientais credenciados é obrigatório, assim como a utilização de equipamentos de proteção individual específicos para o ambiente espeleológico.
Para estruturar o atrativo e mitigar impactos ambientais, o parque investiu na aquisição de cordas técnicas e hastes de aço inoxidável. Esses materiais servem para balizar o caminho correto e isolar trechos considerados ambientalmente frágeis, garantindo a integridade tanto dos turistas quanto da fauna e flora subterrâneas.
“A segurança é um dos principais critérios para a operação da visitação. O percurso foi estruturado considerando as características e os níveis de dificuldade da cavidade, com acompanhamento obrigatório de monitor ambiental credenciado e adoção de protocolos específicos para reduzir riscos e garantir a integridade dos visitantes e do ambiente subterrâneo, além da elaboração de Protocolos de Gestão de Segurança para todos os monitores credenciados a conduzir visitantes nesse atrativo”, pontua Rodrigo Aguiar, gestor da APA Quilombos do Médio Ribeira (APAQMR).
Ciência embasou a retomada das atividades
O longo período de fechamento da Caverna Desmoronada não ocorreu por acaso. O intervalo foi fundamental para que pesquisadores e gestores públicos realizassem diagnósticos detalhados sobre a capacidade de suporte do ecossistema subterrâneo, avaliando riscos geológicos, estabilidade de blocos rochosos, microclima (temperatura e umidade), dinâmica das águas subterrâneas e presença de fauna especializada.
Um grupo multidisciplinar composto por cerca de 100 profissionais esteve envolvido nos levantamentos técnicos, que aliaram décadas de pesquisas acumuladas na região a análises inéditas in loco. O mapeamento minucioso de galerias e o levantamento de possíveis sítios de interesse arqueológico ou cultural também integraram o escopo dos trabalhos, permitindo estipular normas estritas para compatibilizar o turismo ecológico com a preservação de um dos patrimônios naturais mais peculiares do estado de São Paulo, localizado na cidade de Iporanga, com acesso viário facilitado a partir do Paraná pela Estrada do Ribeira e pela região do Rastro da Serpente.
Serviço
A Caverna Desmoronada opera diariamente, de segunda a domingo. As visitas ocorrem estritamente mediante reserva antecipada e a presença de guia autorizado. Interessados podem buscar mais detalhes pelo telefone (15) 3552-1875, enquanto a emissão de bilhetes é gerenciada exclusivamente através da plataforma oficial de vendas da Fundação Florestal no endereço ingressosonline.fflorestal.sp.gov.br.
Fonte:: bemparana.com.br


