Peru elege presidente em disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez

Redação Rádio Plug
4 min. de leitura
Foto: © REUTERS/Alessandro Cinque/Proibida reprodução

O Peru, com uma população de 34 milhões de habitantes, se prepara para ir às urnas no próximo domingo (7) a fim de eleger seu futuro presidente, que governará o país de 2026 a 2031. A disputa eleitoral se dá entre a candidata da direita, Keiko Fujimori, e o concorrente da esquerda, Roberto Sánchez Palomino.

O primeiro turno foi marcado por uma série de contratempos, onde a apuração dos votos se arrastou por mais de um mês. No resultado final, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori que governou o país de 1990 a 2000, obteve 17,1% dos votos, enquanto Sánchez ficou com 12,0%, em um pleito que contou com a participação de 35 candidatos.

Contexto político no Peru

Atualmente, o Peru enfrenta uma grave crise política e econômica, caracterizada por uma sucessão de destituições de presidentes por parte do parlamento. O próximo presidente será o nono a assumir o cargo nos últimos dez anos, num cenário que reflete a instabilidade política do país.

Keiko Fujimori

Keiko Fujimori, apesar de ter liderado a votação no primeiro turno, chega à reta final da eleição em um ambiente de incerteza, já que sofreu derrotas nas últimas três eleições presidenciais: 2011, 2016 e 2021, sempre no segundo turno. Ela carrega a herança tanto do apoio quanto da rejeição que seu pai provoca entre os eleitores, sendo Alberto Fujimori condenado por várias violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas.

Durante sua campanha, Keiko tem promovido a ideia de uma maior aproximação com os Estados Unidos, conforme a agenda do ex-presidente Donald Trump. Esse movimento pode impactar os investimentos chineses no país, especialmente em projetos como o Porto de Chancay, que facilita a escoação de produtos do continente asiático.

Roberto Sánchez

Por sua vez, Roberto Sánchez Palomino, um político de esquerda, tem se aliado ao ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro. Castillo, que venceu Keiko em 2021, foi destituído e preso sob a acusação de tentativa de golpe ao tentar dissolver o Parlamento. Seus apoiadores argumentam que Castillo foi vítima da elite política peruana por representar os interesses da população rural e indígena.

Formado em psicologia, Roberto Sánchez é deputado pelo partido Juntos pelo Peru e tem como propostas uma reforma constitucional com o objetivo de modificar completamente a Constituição herdada do governo fujimorista, além de reformas sociais que visem a ampliação dos direitos no país.

Implicações nas relações internacionais

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, ressalta que as eleições no Peru poderão ter um impacto significativo na disputa comercial entre China e EUA na região. “Roberto Sánchez se opõe vigorosamente à plataforma que Keiko Fujimori tem apresentado, que busca um realinhamento com os Estados Unidos. Ela já fez gestos na direção de Donald Trump para endurecer a política migratória e limitar a influência chinesa através do Porto de Chancay”, explica Menon.

A expectativa para o próximo pleito é alta, à medida que o país busca estabilidade e um novo caminho diante dos desafios enfrentados. A polarização ideológica entre os candidatos é um reflexo das profundas divisões na sociedade peruana, que buscam por um líder capaz de guiá-los em tempos tão conturbados.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo