Planos de governo para o esporte debatem infraestrutura, educação e papel social

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: editor

As diretrizes para o esporte como política pública integram os planos de governo dos dois candidatos que disputam o segundo turno da Presidência da República. Embora ambos estabeleçam conexões entre a prática esportiva e a educação, as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divergem de maneira acentuada no que tange à infraestrutura, à gestão de equipamentos e à abordagem conferida ao esporte feminino.

No programa do candidato do PL, a única menção direta ao esporte feminino refere-se à exclusão de atletas transexuais das competições. Essa abordagem ocorre em um cenário em que o Brasil se prepara para sediar, em 2027, a primeira edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino realizada na América do Sul.

Além disso, o plano de Flávio Bolsonaro não faz menção ao programa Bolsa Atleta. O benefício alcançou, em 2026, o maior patamar histórico de contemplados, com 11 mil atletas atendidos em categorias que vão desde a base infantil até o nível olímpico, após reajustes recentes nos valores. A proposta do candidato do PL concentra-se no aprimoramento de bolsas voltadas exclusivamente para atletas de alto rendimento, estruturadas por meio de parcerias com a iniciativa privada.

Em contrapartida, a proposta de Lula projeta a continuidade e a expansão das políticas estruturantes consolidadas entre 2023 e 2026. O texto prevê diretrizes como o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), a execução de obras de infraestrutura — a exemplo de arenas vinculadas ao Programa de Aceleração de Crescimento (Novo PAC) — e o reconhecimento do desporto sob uma ótica que abrange aspectos culturais, turísticos e econômicos.

No mesmo sentido, o programa petista coloca as mulheres em posição de protagonismo, destacando o suporte financeiro para garantir o sucesso da Copa do Mundo de Futebol Feminino em oito capitais brasileiras, além de incentivos voltados ao aproveitamento do potencial turístico do torneio.

Para consulta detalhada, os planos de governo oficiais dos candidatos podem ser acessados nos seguintes documentos:

Cidadania e esporte

Embora ambos os postulantes ao cargo máximo do Executivo nacional associem a prática esportiva ao conceito de cidadania, os fundamentos conceituais adotados por cada um apresentam distinções claras. Flávio Bolsonaro enfatiza a relação do esporte com a segurança pública e a educação dos jovens, tratando a atividade predominantemente como um meio, uma ferramenta social ou uma tecnologia voltada a cumprir esse propósito específico.

“Preparar uma família para a vida (…) envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”, aponta o documento estratégico do candidato do PL.

Por outro lado, o programa de Lula enxerga o esporte de maneira equiparada à educação, ao acesso ao lazer, à cultura e à geração de oportunidades para o desenvolvimento pessoal e profissional da juventude.

A divergência mais evidente reside no fato de o plano do candidato petista atribuir ao esporte o status de vetor central de transformação social e manifestação legítima da cultura nacional. O texto classifica a área como um “instrumento de desenvolvimento humano, inclusão social e dinamização”, equiparando-a estruturalmente às políticas culturais.

Ademais, a dimensão econômica do esporte ganha relevância explícita na visão de Lula. A atividade é tratada como integrante das indústrias criativas e inserida entre os setores econômicos dinâmicos que devem receber prioridade em um eventual novo mandato.

“Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”, enfatiza o texto do programa.

Esporte e educação

Alunos jogam futebol no Ginásio Experimental Olímpico Reverendo Martin Luther King, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro – Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil

A articulação entre esporte e educação recebe forte ênfase na proposta de Flávio Bolsonaro. O candidato coloca a modalidade no mesmo patamar das artes e da literatura dentro do conceito de educação integral. Entre as medidas sugeridas está a abertura de unidades escolares durante os períodos de recesso, por meio da iniciativa batizada de “Escola nas Férias”, com o intuito de evitar que as crianças fiquem ociosas. Contudo, o texto não especifica os mecanismos de adesão ou os responsáveis pela execução prática do projeto.

Ainda de acordo com o plano do candidato do PL, o esporte é concebido como elemento de suporte e atração para o ambiente educacional. “O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão”, pontua a diretriz.

Em contrapartida, o documento de Lula não estabelece um vínculo direto entre o cotidiano das escolas e as políticas esportivas voltadas aos jovens. Em vez disso, o foco recai sobre a criação de uma instituição de ensino superior especializada, a Universidade do Esporte, cuja proposta já tramitou com aprovação na Câmara dos Deputados. A estrutura é apresentada como a base de uma rede nacional voltada à pesquisa, inovação e tecnologia esportiva, com foco na capacitação de quadros técnicos e no aprimoramento da gestão do esporte de alto rendimento.

Gestão de equipamentos

Durante a campanha, o candidato à reeleição destacou as entregas realizadas ao longo de seu mandato recente para ilustrar a centralidade do tema em sua gestão. Foram mencionadas as intervenções promovidas por meio do Novo PAC, que viabilizaram a construção de complexos esportivos em centenas de municípios, além da consolidação de políticas de longo prazo e da tramitação legislativa da Universidade do Esporte.

O programa governamental reforça a continuidade das unidades do programa Arena Brasil, priorizando a manutenção e o funcionamento adequado dos equipamentos públicos como metas centrais para a próxima administração.

Embora não faça menção restrita e exclusiva ao esporte nesse ponto, o plano de Lula adota uma diretriz geral favorável à gestão direta de equipamentos públicos em articulação com estados, municípios, organizações não governamentais (ONGs) e coletivos locais envolvidos em projetos sociais. Essa abordagem evidencia uma postura crítica em relação a processos de privatização, restringindo tais medidas a setores marcados por alta concentração de capital e complexidade técnica, a exemplo de obras de infraestrutura pesada e do setor energético.

Por sua vez, as diretrizes de Flávio Bolsonaro voltadas ao esporte de alto rendimento enfatizam a necessidade de colaboração contínua com a iniciativa privada, prevendo patrocínios estruturados “em parceria com clubes, faculdades e universidades”. O texto também menciona o fomento, mediante editais, ao emprego de tecnologia e ciência de dados por entidades de administração desportiva e agremiações.

Para expandir o alcance das políticas esportivas no ambiente escolar, o candidato do PL aposta na celebração de parcerias público-privadas, viabilizando o uso da infraestrutura das instituições de ensino para estimular a prática competitiva. A estratégia prevê a organização de “times escolares, treinos no contraturno e competições municipais e estaduais”, medidas avaliadas como eficazes para combater a evasão e a repetência escolar.

Fonte:: diariopr.com.br

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