Prefeitura avança na negociação e amplia para 6% a proposta de reajuste aos motoristas do TRIAR

Sindicato sugeriu aumento da tarifa para R$ 1,25, ideia rejeitada pela administração

Redação Rádio Plug
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Foto: Carlos Poly/SMCS

A Prefeitura de Araucária reafirmou, nesta quarta-feira (16), em reunião com o sindicato que representa os motoristas do Transporte Integrado de Araucária (TRIAR), o compromisso de conceder 6% de reajuste no salário-base da categoria — sendo 4,33% referentes à inflação do período e 1,67% de aumento real. A administração municipal, no entanto, voltou a enfatizar que a proposta representa o limite financeiro possível sem comprometer a capacidade de obrigações futuras do município.

A negociação ocorre sob a ameaça de paralisação. No dia 14 de setembro de 2026, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) publicou comunicado oficial informando que está aberto o indicativo de greve no transporte coletivo de Araucária, aprovado pelos motoristas e cobradores das empresas Francovig Transportes, Imperial Transporte e Silva & Santos (Sharp). Segundo o documento, a paralisação poderá ocorrer a partir das 4 horas do dia 18 de setembro de 2026, e as empresas e demais órgãos foram devidamente comunicados.

No comunicado, assinado pelo presidente Ricardo Sales, o Sindimoc afirma que, com obediência à legislação competente, estará sempre junto com os motoristas e cobradores e espera das empresas e demais órgãos públicos responsáveis que haja o devido respeito, reconhecimento e valorização dos trabalhadores, evitando-se assim a paralisação.

Com isso, segundo a Prefeitura, não é possível atender ao aumento solicitado no auxílio-alimentação dos trabalhadores. O reajuste de 6% oferecido aos motoristas é superior ao índice concedido neste ano aos servidores municipais, de 4,11%, referente ao INPC.

Caso a proposta seja aceita, o salário inicial de motorista do TRIAR passaria de R$ 3.582,43 para R$ 3.797,38, permanecendo como o maior da região. A negociação, porém, travou no auxílio-alimentação, atualmente em R$ 1.587,45 mensais — valor que, segundo o município, já é o maior de toda a região metropolitana, incluindo Curitiba. A reivindicação é de aumento de R$ 200, mas a Prefeitura esclareceu aos interessados que, mesmo não parecendo muito, o impacto da proposta ultrapassa o limite de recurso disponível.

Tarifa de R$ 1 e investimento de R$ 100 milhões por ano

O município de Araucária tem sido referência por suas ações dentro do transporte coletivo, incluindo diversos tipos de isenções. O destaque tem sido a manutenção da tarifa dos ônibus do TRIAR em apenas R$ 1. Para garantir os custos de operação do sistema, que também envolve a integração gratuita com linhas metropolitanas nos terminais da cidade e a gratuidade aos domingos, a Prefeitura afirma investir próximo de R$ 100 milhões ao ano.

Para atingir uma “solução” a todas as reivindicações apresentadas, o sindicato chegou a sugerir, conforme ata da reunião, o aumento no valor da tarifa para R$ 1,25. Na prática, a medida repassaria o novo custo para os usuários do sistema. Por mais de uma vez, a Prefeitura repudiou a proposta e deixou claro que, se houver alteração no valor da tarifa, será para redução, nunca para aumento.

Reajuste condicionado à não realização de greve

Diante do impasse, o sindicato levará a proposta de reajuste salarial de 6% e sem alteração no vale-alimentação à apreciação da assembleia dos trabalhadores. O reajuste oferecido pela Prefeitura está condicionado, conforme decidido na reunião, apenas se não ocorrer greve. Em caso de decisão de greve, a negociação retorna para a proposta de reposição de 4,33% inicial.

A Prefeitura reafirma que está sempre aberta a conversar sobre todas as questões relacionadas ao transporte coletivo local, incluindo o trabalho importante dos motoristas, sempre dentro do respeito e levando em conta as condições orçamentárias disponíveis.

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