Queda de commodities pressiona Ibovespa apesar de alívio no petróleo e foco no Copom

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Canalrural.com.br

O principal índice da bolsa de valores brasileira começou o pregão desta segunda-feira (3) operando em leve alta, mas logo mudou de direção e passou a registrar perdas ao longo da manhã. O movimento de baixa foi impulsionado principalmente pela forte desvalorização das commodities no mercado internacional e pela cautela dos investidores diante da proximidade da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira.

A virada para o campo negativo ocorreu mesmo com o desempenho positivo das bolsas em Nova York e com a divulgação do boletim Focus pelo Banco Central, que trouxe revisões para baixo nas projeções tanto para a inflação oficial quanto para a taxa básica de juros, a Selic.

Impacto do petróleo e do minério de ferro

No cenário internacional, a perspectiva de avanço nas tratativas diplomáticas para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte retração nos preços do petróleo. Essa baixa ajudou a amenizar as expectativas inflacionárias de curto prazo para grande parte do mercado global. No entanto, o impacto direto nos ativos locais pesou de forma contrária.

O contrato futuro do petróleo tipo Brent registrou queda superior a 5%, sendo cotado a US$ 83 o barril, enquanto o WTI apresentou recuo acima de 6%, negociado a US$ 79. Paralelamente, o minério de ferro também operou em baixa, caindo 2,81% na bolsa chinesa de Dalian.

Essa conjuntura afetou diretamente os papéis de maior peso na composição do Ibovespa, notadamente a Petrobras e a Vale. Perto do final da manhã, por volta das 11h06, os papéis da mineradora recuavam 2,81%. No mesmo horário, as ações preferenciais da estatal petroleira registravam baixa de 1,57%, enquanto os papéis ordinários caíam 1,14%.

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Expectativas econômicas e boletim Focus

Enquanto o mercado de ações lidava com a pressão externa das commodities, o boletim Focus trouxe dados mais brandos em relação à economia doméstica. A mediana das projeções do mercado financeiro para a taxa Selic ao final de 2026 foi reduzida de 14% para 13,75%, após permanecer estável por cinco semanas consecutivas. Na mesma linha, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 recuou pela quinta semana seguida, passando de 5,12% para 5,03%.

Para analistas do setor, a atenção dos investidores está inteiramente voltada para o teor do comunicado que será emitido pelo Copom logo após a definição da taxa de juros. A expectativa é entender a postura do Banco Central em relação ao horizonte relevante da condução da política monetária, sobretudo após estudos recentes que consideram estender esse escopo de análise até o primeiro trimestre de 2028.

Especialistas apontam que a leitura recente do IPCA-15 acumulado em 12 meses apresentou um cenário ligeiramente mais favorável para a trajetória inflacionária, embora o comportamento da taxa de câmbio continue a desempenhar um papel determinante na formação de preços e na confiança dos agentes econômicos.

Desempenho do índice

Por volta das 11h06, o Ibovespa apresentava desvalorização de 0,68%, situando-se aos 176.783,14 pontos. O indicador havia iniciado o dia com variação positiva de 0,01%, aos 178.008,70 pontos, alcançando uma máxima intradia de 178.556,60 pontos nas primeiras negociações.

No último pregão de julho, na sexta-feira (31), o índice havia fechado em alta de 0,47%, atingindo 177.999,00 pontos e coroando o mês com um ganho acumulado de 3,47%, o que ajudou a reverter uma sequência de quatro meses consecutivos de perdas.

O comportamento do mercado financeiro nesta segunda-feira reflete, portanto, a combinação de fatores externos, como a retração das principais commodities e a queda nos juros futuros, somada à cautela pré-Copom, em uma semana que também será movimentada pela divulgação de novos balanços financeiros de empresas e pela publicação do relatório oficial de emprego nos Estados Unidos.

Fonte:: canalrural.com.br

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