Relatório global aponta crescimento da impunidade e aponta impacto de políticas norte-americanas

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Impacto das decisões da Casa Branca no cenário internacional

As recentes diretrizes implementadas pelos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump geraram repercussões diretas sobre o panorama da impunidade em âmbito global. É o que aponta o documento conhecido como Atlas da Impunidade, um estudo anual elaborado pela consultoria de risco Eurasia.

De acordo com os dados levantados pela pesquisa, a posição de Washington recuou seis degraus no ranking geral referente a 2025. O documento aponta que diversas decisões tomadas pela atual administração americana repercutiram de maneira desfavorável em variadas nações ao redor do globo, enfraquecendo mecanismos tradicionais de fiscalização e transparência.

Entre os principais pontos que penalizaram a avaliação americana estão a degradação do ecossistema de imprensa no país e a difusão de conteúdos imprecisos por parte da administração central. Paralelamente, o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID) acabou por comprometer severamente a capacidade de resposta de países como Geórgia, Ucrânia, Armênia, Haiti e Tunísia no enfrentamento à impunidade. No mesmo levantamento, o Brasil figura na 75ª colocação entre os 172 territórios analisados.

Peter Ceretti, diretor do departamento de Geoestratégia da Eurasia, pontua que a concentração acentuada de prerrogativas na figura presidencial e o descumprimento de normas tradicionais marcaram o período. O especialista ressalta que as posturas norte-americanas possuem peso fundamental na balança geopolítica, tendo em vista que a nação atua historicamente como uma das principais financiadoras de pactos de segurança coletiva e de estruturas de governança internacional, a exemplo da ONU.

O índice avalia o grau com que o cidadão comum experimenta a impunidade em cinco eixos centrais: violação de liberdades fundamentais, conflitos armados, exploração econômica, degradação ambiental e ausência de prestação de contas na administração pública. A escala utilizada varia de zero a 100, onde pontuações mais elevadas indicam quadros mais graves de impunidade.

Fatores internos e a ascensão do poder corporativo

O reposicionamento dos Estados Unidos na 117ª posição do Atlas reflete, segundo os analistas, a erosão dos mecanismos institucionais de freios e contrapesos. A desconfiança manifestada pela liderança executiva em relação aos processos eleitorais e o atrito constante com parceiros internacionais sedimentaram essa trajetória de queda.

Conforme o relatório, estratégias como o emprego de forças federais de imigração, as diretrizes voltadas a deportações em larga escala e os embates públicos com opositores políticos evidenciam uma ampliação do interesse particular em detrimento das instâncias burocráticas tradicionais.

Adicionalmente, o estudo aponta para o fortalecimento econômico de figuras ultra-ricas do setor tecnológico, a exemplo de Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, que estreitaram os laços com o poder central e ampliaram sua capacidade de intervenção nas políticas públicas.

Para Ceretti, a aproximação de bilionários com estruturas governamentais — ilustrada pela atuação de empresários em comitês voltados à revisão de gastos estatais — demonstra uma sobreposição de interesses corporativos sobre as diretrizes estatais, o que tende a enfraquecer a qualidade democrática a longo prazo.

Expansão de governos iliberais e o fator tecnológico

Outro aspecto enfatizado pelo relatório é o avanço de administrações caracterizadas como iliberais. Tais governos utilizam táticas populistas para desestruturar os pilares democráticos tradicionais, impulsionados por um ceticismo crescente em relação ao modelo liberal tradicional.

Episódios históricos como os conflitos prolongados no Oriente Médio e a instabilidade financeira global intensificaram as críticas aos mercados desregulados e às alianças tradicionais lideradas por Washington. Líderes autocratas têm aproveitado essas insatisfações para legitimar discursos contrários às liberdades econômicas e à proteção de minorias.

No campo digital, a pesquisa adverte que, embora as plataformas tecnológicas tenham transformado a comunicação, elas também forneceram novas ferramentas para burlar legislações. Governos com perfis mais autoritários vêm utilizando recursos baseados em inteligência artificial e redes descentralizadas para ocultar recursos financeiros, evadir sanções econômicas e ampliar o controle sobre populações civis.

Panorama regional e situação do Brasil

No cenário latino-americano, o relatório destaca a retração expressiva do Equador, que perdeu posições em decorrência do agravamento nos índices de segurança pública e governança, aproximando-se de patamares críticos observados no Haiti.

Em contrapartida, o Brasil registrou um avanço modesto no índice geral de prestação de contas entre os ciclos de 2024 e 2025. Contudo, o documento aponta que os maiores óbices para o território nacional continuam concentrados na área de criminalidade, refletindo as dificuldades históricas no combate estruturado ao crime organizado.

No topo da lista global de maiores níveis de impunidade aparecem nações como Síria, Sudão do Sul, Afeganistão, Myanmar e Iêmen. Por outro lado, a Finlândia lidera o extremo oposto do ranking como o país com menor índice de impunidade, seguida por outras nações nórdicas como Dinamarca, Suécia e Noruega, mantendo a Europa ocidental como a região com os melhores indicadores globais de governança e transparência.

Fonte:: estadao.com.br

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