Suíça aperta regras e pode elevar em US$ 20 bi capital exigido do UBS

Redação Rádio Plug
Foto: Pascal Mora/Bloomberg

O governo da Suíça apresentou detalhes de um plano que poderá adicionar cerca de US$ 20 bilhões às exigências de capital do UBS, ao passo que algumas regulamentações que afetarão o maior banco do país foram suavizadas. As autoridades suíças decidiram permitir que o UBS continue contabilizando ativos fiscais diferidos como parte de seu capital regulatório, além de permitir a amortização dos investimentos em software ao longo de três anos, começando em 2029. Essas medidas devem entrar em vigor no próximo ano.

As concessões feitas pelo governo foram além do que muitos esperavam e ocorrem em meio a um pacote legislativo que está previsto para ser apresentado ao Parlamento suíço ainda este ano. Esse pacote tem como objetivo aumentar a solidez de capital das subsidiárias estrangeiras do UBS. As autoridades estão buscando fortalecer as reservas de capital para enfrentar possíveis crises futuras, especialmente após a queda do Credit Suisse em 2023. O UBS, por sua vez, tem se posicionado com firmeza, argumentando que as novas exigências poderão prejudicar sua competitividade no cenário global.

O projeto de lei, liderado pela ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter, exige que o UBS mantenha um suporte de 100% de capital na holding para suas operações internacionais. Este ponto é considerado o mais polêmico pelo banco, que vê a mudança como uma tentativa de corrigir uma vulnerabilidade observada durante a crise do Credit Suisse, onde suas unidades problemáticas no exterior não podiam ser vendidas sem impactar severamente a solvência do banco-mãe.

Keller-Sutter, em uma coletiva de imprensa, afirmou que o governo está “unanimemente” a favor das novas medidas e que significativas concessões foram feitas ao UBS. A parte da reforma relacionada ao reforço das exigências de capital deve aumentar em aproximadamente US$ 19 bilhões os requerimentos da holding doméstica do UBS, de acordo com a última projeção do governo. Quando somadas, as mudanças propostas podem elevar em cerca de US$ 20 bilhões as necessidades de capital do grupo como um todo.

Na tentativa de construir apoio político para o que considera uma reforma necessária, o governo apresentou concessões em aspectos técnicos do decreto. Um parlamentar de destaque sugeriu que ao suavizar o decreto, o governo poderá conseguir maior aceitação em relação ao pacote legislativo mais amplo. O Conselho Federal, juntamente com o Banco Nacional Suíço e a agência reguladora Finma, divulgou que “está alinhado na visão de que as propostas são sensatas, necessárias, bem direcionadas e administráveis pelo UBS”.

Os altos executivos do banco, incluindo o presidente do conselho, Colm Kelleher, e o CEO, Sergio Ermotti, expressaram preocupações em várias ocasiões sobre os principais aspectos da proposta de reforma. Apesar das concessões no decreto, o UBS ainda encontrará um longo caminho a percorrer até a definição final das mudanças. O processo legislativo deve se estender pelo menos até o próximo ano, abrindo espaço para ajustes significativos, uma vez que o UBS terá a oportunidade de fazer lobby junto aos legisladores. Uma comissão parlamentar está programada para realizar o primeiro debate a portas fechadas no dia 4 de maio.

As autoridades avisaram que, caso o Parlamento decida enfraquecer o projeto que regulamenta as subsidiárias internacionais, o governo poderá reconsiderar seu compromisso em relação ao tratamento de créditos fiscais diferidos que foi apresentado nesta quarta-feira. O governo projetou que as medidas propostas culminarão em uma razão de capital CET1 (Common Equity Tier 1) de cerca de 15,5% para o grupo após a implementação, uma taxa que “está em linha com os pares internacionais atualmente”.

O governo também refutou a visão do UBS de que as novas regras comprometeriam sua competitividade, enfatizando que “no curto prazo, é possível conseguir um retorno sobre o patrimônio maior utilizando menos capital próprio. No longo prazo, contudo, um capital mais robusto assegura a estabilidade do banco”.

Por sua vez, o UBS expressou que exigências de capital mais rigorosas podem restringir sua capacidade de expandir internacionalmente e de aumentar os retornos aos acionistas, ainda que a instituição permaneça altamente lucrativa. A divulgação dos resultados do primeiro trimestre está agendada para o dia 29 de abril, e especialistas projetam um aumento no lucro líquido para cerca de US$ 2,4 bilhões, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.

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Fonte:: infomoney.com.br

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