O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pedido direto à gigante da tecnologia Apple para que a empresa substitua a nomenclatura do Lago Ontário por “Lago América” em sua ferramenta de mapas digitais. A revelação foi feita nesta segunda-feira, 31, pelo titular do Departamento do Interior da administração norte-americana, ocorrendo poucos dias após o chefe de Estado assinar uma ordem executiva voltada para o corpo d’água, que ganhou evidência em meio ao acirramento das tensões comerciais com o Canadá.
Durante participação no programa televisivo “Mornings with Maria”, da rede Fox, o secretário do Interior, Doug Burgum, declarou que o líder norte-americano manteve contato direto com executivos da companhia. Na ocasião, o representante do governo demonstrou otimismo quanto à possibilidade de que a nova denominação passe a integrar o sistema de navegação da empresa em um futuro próximo.
Até o final da tarde de segunda-feira, a fabricante do iPhone ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a solicitação. Na plataforma de mapas da empresa, o local mantinha exclusivamente o registro tradicional como Lago Ontário.
Movimentação de concorrentes e critérios de exibição
A investida da Casa Blanca sobre as empresas de tecnologia ocorre logo após o movimento adotado pelo concorrente Google Maps durante o fim de semana. A plataforma rival implementou o termo “Lago América” para os usuários localizados nos Estados Unidos que acessavam a visualização do manancial, situado geograficamente na divisa entre o estado de Nova York e a província canadense de Ontário.
Para justificar a alteração, o Google apontou a diretriz assinada por Trump e destacou o cumprimento de sua norma histórica de adotar nomenclaturas oficiais reconhecidas pelo Sistema de Informações de Nomes Geográficos dos EUA (GNIS, na sigla em inglês).
Em um comunicado divulgado à imprensa no sábado, 29, a empresa de buscas detalhou como a visualização seria segmentada regionalmente:
- Usuários nos Estados Unidos passam a visualizar “Lago América”.
- Usuários no Canadá continuam a enxergar “Lago Ontário”.
- Usuários em territórios internacionais visualizam simultaneamente as duas denominações.
A companhia reforçou que o procedimento atende a diretrizes de longa data aplicadas a acidentes geográficos cujos títulos apresentam divergências entre nações.
Contexto político e atritos fronteiriços
A imposição do nome “Lago América” foi divulgada publicamente por Trump na semana anterior, configurando mais um episódio de confronto no cenário de disputas comerciais entre Washington e Ottawa, que envolve a aplicação mútua de taxas alfandegárias na fronteira. O decreto assinado na sexta-feira, 28, determinou formalmente que o Departamento do Interior atualizasse os registros oficiais do governo norte-americano.
Apesar da determinação unilateral no âmbito interno dos Estados Unidos, o governo americano não detém jurisdição para obrigar o lado canadense a acatar a modificação. A iniciativa gerou reações imediatas de repúdio por parte das autoridades do país vizinho.
Além das críticas governamentais canadenses, lideranças originárias também se manifestaram contra a ordem. O chefe da Nação Seneca, localizada na região norte do estado de Nova York, apontou que a manobra governamental infringe um tratado histórico com mais de 225 anos de vigência. Segundo o representante indígena, a decisão reflete um desrespeito evidente pelas comunidades ancestrais responsáveis por conceder o batismo original ao manancial.
Historicamente, esta não é a primeira vez que a atual gestão americana utiliza decretos executivos para modificar o registro cartográfico de divisas aquáticas internacionais. No ano anterior, uma ordem similar determinou a alteração do Golfo do México para Golfo da América, modificação que acabou sendo incorporada posteriormente pelas interfaces de mapeamento digital da Apple e do Google em território norte-americano.
Fonte:: estadao.com.br




