Donald Trump faz sua primeira visita à China em quase uma década, em um momento que pode ser considerado um tenso cessar-fogo na segunda guerra comercial que os Estados Unidos travam com a potência asiática. Esse conflito foi iniciado por Trump em 2018 e teve continuidade em 2025, através da imposição de tarifas e sanções.
Na sua última viagem, em novembro de 2017, durante seu primeiro mandato, Trump teve um roteiro similar ao que está sendo seguido agora: além de seus assessores oficiais, como os secretários de Estado e Comércio, ele levou consigo diversos CEOs de grandes empresas americanas.
Naquela ocasião, essa estratégia resultou na assinatura de 37 acordos entre companhias americanas e chinesas, totalizando mais de US$ 250 bilhões. Além disso, a China se comprometeu a comprar US$ 200 bilhões em produtos americanos até 2021.
No entanto, a realidade mostrou-se mais desafiadora. A redução do déficit comercial dos EUA em relação à China, uma promessa de campanha de Trump, não foi implementada. Avanços em questões políticas delicadas, como Hong Kong e Taiwan, e melhorias na observância dos direitos humanos, também não foram alcançados.
Durante esse período, a pandemia de Covid-19 complicou ainda mais as relações, especialmente porque Trump frequentemente se referia ao coronavírus como o “vírus chinês”, o que prejudicou a diplomacia entre os dois países.
Recentemente, a China enfrentou dificuldades econômicas, exacerbadas pela interrupção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das consequências do conflito entre EUA e Israel e o Irã.
Em meio a esse contexto, Trump, menos de um mês após retornar de Pequim, começou a assinar ordens executivas sancionando empresas e indivíduos da China, além de aumentar tarifas sobre uma variedade de produtos.
Sanções e tarifas
Entre 2017 e 2021, a administração Trump emitiu um total de oito ordens executivas com foco na China, além de outras sete que, embora não tivesse a China como alvo direto, afetaram áreas significativas da política relacionadas à interação EUA-China. Muitas dessas medidas foram determinadas alguns dias antes da posse do presidente Joe Biden no cargo de presidente da República.
Adicionalmente, uma comissão do Congresso catalogou 116 ações relacionadas à China adotadas pela Casa Branca e outros órgãos do governo federal durante esse mesmo período.
Na esfera comercial, entre julho de 2018 e agosto de 2019, os Estados Unidos anunciaram planos para implementar tarifas em mais de US$ 550 bilhões em produtos chineses, sendo que a China reagiu com tarifas sobre produtos americanos totalizando mais de US$ 185 bilhões.
Com a administração Biden, não houve intenção de agravar as relações, apesar de não terem melhorado consideravelmente. A tarifa média imposta pelos EUA sobre as exportações chinesas subiu de 19,3% para 20,7%. Biden optou por implementar políticas de incentivo à produção local, como no caso dos microchips. Assim, o tom da abordagem mudou de um confronto aberto para uma linguagem que reflete tanto a cooperação quanto a competição com a China.
Recentemente, sob a nova administração Trump, a guerra comercial foi reativada. De acordo com estimativas do Petersen Institute for International Economics, as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos chineses hoje são mais de 15 vezes maiores do que quando a primeira guerra tarifária comenzó, em 2018.
O aumento total de 26,8 pontos percentuais na tarifa média dos EUA sobre importações da China durante o segundo mandato de Trump é 10 pontos percentuais superior ao aumento médio de 16,2 pontos percentuais na tarifa total sobre importações da China durante todo o primeiro governo de Trump, entre 20 de janeiro de 2017 e 20 de janeiro de 2021.
Em um artigo na revista Foreign Affairs, Henrietta Levin, pesquisadora sênior do Center for Strategic and International Studies (CSIS), aponta que Washington tem utilizado o conteúdo e o ritmo da diplomacia EUA-China para tranquilizar seus aliados de que os Estados Unidos não irão escalar as tensões com a China de maneira imprudente, nem se reconciliar de forma irresponsável.
A autora explica que os países da Ásia, de forma geral, não desejam que os Estados Unidos aumentem as tensões por causa de Taiwan a ponto de um conflito se tornar iminente. No entanto, eles também não querem que os EUA cheguem a um acordo com a China que facilite o controle do continente sobre a ilha, o que poderia permitir uma dominação chinesa na região e limitar a liberdade de ação de outros países.
Fonte:: infomoney.com.br




