Foto: Fabiano Teixeira/PCPR
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou uma operação na manhã desta quinta-feira (21) que resultou na prisão de cinco indivíduos envolvidos em uma organização criminosa transnacional, especializada em sextorsão. A investigação teve início a partir de uma denúncia de uma vítima localizada em Palmas, no Sudoeste do estado. A ação policial se estendeu a cinco estados brasileiros.
A operação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, conhecido como CIBERLAB, além da colaboração das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte, que contribuíram
Os crimes em questão incluem extorsão qualificada, participação em organização criminosa de caráter transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas, cujas penas podem ultrapassar 20 anos de prisão. Foram cumpridos mandados de prisão e busca domiciliar em diversas localidades, incluindo Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB). Durante as buscas, diversos celulares foram apreendidos e serão analisados para aprofundar as investigações.
A PCPR apurou que a atuação do grupo criminoso teve início em 2024. A dinâmica do crime envolveu o uso de redes sociais e, posteriormente, aplicativos de mensagens, onde a vítima foi contatada através de um perfil falso sob o nome de “David Green”. O autor do golpe usou fotos de terceiros, já identificadas como comuns em fraudes internacionais, se apresentando como um médico oncologista enviado em missão de paz pela OTAN na Síria.
O suspeito manipulou emocionalmente a vítima, prometendo um relacionamento amoroso e ganhando sua confiança, o que levou ao compartilhamento de imagens e vídeos íntimos. Conforme relato do delegado Kelvin Bressan, do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior da PCPR, o criminoso começou a solicitar dinheiro sob diversos pretextos, como despesas fictícias com passagens aéreas e multas relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil.
Após a vítima expressar dúvidas e informar dificuldades financeiras, o golpista intensificou as ameaças, praticando a extorsão de forma mais agressiva. Ameaçou divulgar o material íntimo em suas redes sociais se os novos pagamentos não fossem realizados, exigindo a quantia de R$ 20 mil. No total, a vítima sofreu um prejuízo superior a R$ 60 mil.
A investigação revelou que a organização criminosa possuía uma estrutura bem definida, com um núcleo de operação no exterior que utilizava um número telefônico da Nigéria (+234), sendo responsável pelas abordagens e extorsões. No Brasil, outro núcleo estava encarregado da lavagem de dinheiro, operando através de contas bancárias que recebiam, ocultavam e dissimulavam os valores através da conversão em criptomoedas.
Estima-se que, ao longo de apenas dois meses, o grupo movimentou cerca de R$ 4 milhões. Algumas das contas bancárias utilizadas já constam como beneficiárias em vários boletins de ocorrência registrados em diferentes estados do país.
As investigações apontam que existe ao menos 20 vítimas identificadas que se enquadram no mesmo padrão de extorsão, distribuídas em diversas regiões do Brasil.
Os objetivos da operação realizada nesta quinta-feira incluem a identificação dos demais membros da organização criminosa, a delimitação do alcance total das fraudes aplicadas e a busca pela reparação dos danos sofridos pelas vítimas.
Fonte:: policiacivil.pr.gov.br




