CNI entra com ação no Supremo contra fim da taxa das blusinhas

Redação Rádio Plug
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Foto: (Foto: RoseBox/ Unsplash)

A disputa em torno da chamada “taxa das blusinhas” avançou para o âmbito jurídico, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) instituindo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) no final da última sexta-feira (22). O objetivo dessa ação é contestar a medida provisória que eliminou a cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

De acordo com a CNI, a Medida Provisória 1.357/2026 favorece injustamente plataformas de e-commerce estrangeiras, prejudica a indústria nacional, ameaça a geração de empregos e ignora requisitos constitucionais essenciais para a criação de medidas provisórias.

Essa questão reabre um dos debates mais delicados no cenário econômico brasileiro, que gira em torno do equilíbrio entre o incentivo às compras internacionais acessíveis e a proteção da competitividade da produção local.

A CNI considera que a referida medida é um retrocesso para o Brasil. A entidade argumenta que, ao zerar a alíquota de 20% que incide sobre remessas internacionais de pequeno valor, o governo favorece empresas estrangeiras, que já apresentam vantagens competitivas devido a estruturas tributárias e custos distintos dos que enfrentam os fabricantes brasileiros.

“Esse tipo de diferenciação prejudica a livre concorrência. A medida cria desigualdades que favorecem produtos importados em detrimento da produção nacional”, declarou Alexandre Vitorino, diretor jurídico da CNI.

Análise da Urgência da Medida

Além do aspecto econômico, a crítica da CNI também recai sobre o método utilizado pelo governo. Os representantes da entidade sustentam que a diminuição da carga tributária não atende ao critério de urgência que deveria ser cumprido para a edição de medidas provisórias, especialmente uma vez que o tema já estava sendo debatido no Congresso através de projetos legislativos.

“A isenção da tributação sobre importações de pequeno valor não possui a urgência necessária para ser justificada como medida provisória”, sustentou a CNI.

No contexto da ação, a confederação ainda denuncia que essa medida infringe princípios constitucionais como isonomia tributária, liberdade de concorrência e proteção do mercado interno.

Conflito no Setor de E-commerce

Este conflito acontece em um mercado que cresceu exponencialmente nos últimos anos. Conforme dados da CNI, as importações de pequeno valor aumentaram de US$ 800 milhões em 2013 para impressionantes US$ 13,1 bilhões em 2022. Durante esse mesmo período, o número de remessas internacionais saltou de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022.

A entidade enfatiza que o quadro atual se alterou significativamente em relação ao período em que a isenção foi criada, quando o comércio eletrônico internacional não exercia uma influência tão significativa.

Na percepção da indústria, o benefício que foi originalmente destinado a remessas individuais entre pessoas físicas acabou sendo explorado por operações comercias de grande escala realizadas por plataformas estrangeiras.

Impacto nos Empregos e na Economia

Segundo a CNI, a implementação da tributação nos anos recentes ajudou a corrigir distorções na concorrência. Estudos da confederação indicam que a taxação foi responsável pela preservação de aproximadamente 135 mil postos de trabalho e pelo acréscimo de R$ 19,7 bilhões na economia nacional.

O argumento central da CNI é que eliminar essa taxa significa transferir produção, renda e arrecadação para o exterior, o que pode comprometer a saúde econômica do Brasil.

No entanto, a discussão em torno desse tema é complexa. Enquanto a indústria e o varejo clamam por uma igualdade tributária entre produtos importados e nacionais, consumidores e plataformas internacionais defendem que a taxação eleva os preços de produtos de menor valor, limitando o acesso a itens mais acessíveis.

A judicialização desse tema não apenas compartimenta assuntos tributários, mas também adentra a esfera constitucional, sinalizando um embate que poderá ter sérias repercussões no cenário econômico brasileiro.

Fonte:: infomoney.com.br

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