Os custos referentes aos fretes agrícolas no encerramento de junho registraram patamares superiores quando comparados ao mesmo período de 2025 nas principais rotas logísticas monitoradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, ao analisar a variação mensal frente ao mês de maio, grande parte dos corredores logísticos apresentou retração nas cotações, com destaque para as praças localizadas no estado de Mato Grosso. O comportamento das tarifas ao longo do período foi ditado pela dinâmica de escoamento da safra, pelos impactos diretos dos custos operacionais e pelo ritmo geral das exportações do agronegócio nacional.
Dinâmica nos principais estados produtores
De acordo com os levantamentos da Conab, cerca de 72% das rotas acompanhadas em território mato-grossense fecharam o mês com reduções nas tarifas cobradas pelos transportadores, oscilando em uma faixa entre queda de 8% e alta de 8%. Embora o período seja marcado pelo avanço e movimentação da segunda safra de milho, o volume efetivo de embarques direcionados aos portos e centros consumidores ficou abaixo das expectativas iniciais projetadas pelo setor. A instituição aponta que esse cenário atípico decorreu do fortalecimento da demanda interna pelo cereal, de alterações nos preços pagos diretamente aos produtores e da preferência por rotas rodoviárias de menor quilometragem.
Em contrapartida, no Mato Grosso do Sul, o cenário de preços permaneceu predominantemente estável, registrando acréscimos em exatos 50% dos trechos avaliados. Tal comportamento foi sustentado pela manutenção dos custos operacionais necessários para a atividade de transporte e pelo fluxo constante e ininterrupto de cargas agrícolas nas rodovias sul-mato-grossenses. Situação distinta ocorreu em Goiás, onde a maior parte dos trajetos pesquisados demonstrou viés de baixa, com maior intensidade nas praças originárias dos municípios de Cristalina e Bom Jesus de Goiás. No Distrito Federal, a retração foi generalizada em todas as rotas monitoradas, apresentando valores mínimos que chegaram a ficar até 4% menores do que os apurados no mês anterior.
Na região Nordeste, o estado da Bahia contabilizou quedas ou estabilidade absoluta em todos os trechos logísticos. Na praça de Luís Eduardo Magalhães, por exemplo, os preços do frete recuaram até 7%, refletindo a diminuição natural na intensidade da demanda logo após o término do pico de escoamento da safra de grãos em abril, somada a uma oferta ampliada de caminhões e motoristas disponíveis no mercado. Por outro lado, o Maranhão apresentou aumentos pontuais em áreas estratégicas como Balsas e Tasso Fragoso. Já no Piauí, prevaleceram as variações positivas nas cotações, impulsionadas principalmente pelo fluxo contínuo de escoamento da soja destinada ao mercado internacional e pelos reajustes sucessivos no preço local dos combustíveis.
Nas praças do estado de São Paulo, os valores praticados mantiveram-se estáveis ou exibiram altas moderadas. Em Minas Gerais, as tarifas seguiram em trajetória de baixa ou permaneceram praticamente inalteradas. No Paraná, o início oficial da colheita do milho da segunda safra impulsionou de maneira perceptível a procura por serviços de transporte nas regiões de maior produção agrícola do estado.
Comércio exterior e desempenho logístico
No âmbito do comércio exterior brasileiro, as estatísticas oficiais demonstram que as exportações nacionais de soja em grão atingiram o montante de 69,5 milhões de toneladas acumuladas até o fechamento de junho de 2026. Esse volume representa um crescimento expressivo de 7,12% em relação ao desempenho verificado no primeiro semestre do ano anterior. Paralelamente, os embarques internacionais de milho somaram 7,9 milhões de toneladas, consolidando um avanço expressivo de 22,13% na mesma base de comparação temporal.
Dados consolidados no Boletim Logístico da Conab evidenciam ainda a relevância estratégica do Arco Norte para a infraestrutura de escoamento do país. A região foi responsável por responder por 35,4% de todo o volume de milho exportado e por 39,1% das remessas externas de soja ao longo do primeiro semestre de 2026. No mesmo intervalo, as importações brasileiras de fertilizantes totalizaram 18,31 milhões de toneladas, configurando um recuo de 5,7% em relação ao volume reportado no mesmo período do ano passado.
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Fonte:: canalrural.com.br




