O Google decidiu voltar atrás e removeu, na última sexta-feira (31.jul.2026), um recurso recém-lançado que permitia a criação de imagens geradas por inteligência artificial na versão web do Google Earth. A ferramenta, baseada no modelo Nano Banana 2, havia sido disponibilizada na quinta-feira (30.jul), mas foi retirada do ar rapidamente devido à forte reação negativa quase imediata por parte de especialistas e usuários.
A funcionalidade em questão dava aos usuários a capacidade de selecionar qualquer ponto geográfico na plataforma e solicitar que a inteligência artificial modificasse a paisagem de forma fictícia. Entre as possibilidades estavam a visualização de uma residência abandonada completamente restaurada, a conversão de um terreno baldio em uma área verde comunitária ou a simulação de como determinada região se apresentava décadas atrás. Para gerar esses resultados, o sistema combinava dados geográficos reais, registros de satélite, fotografias aéreas e modelagens tridimensionais do local selecionado.
Riscos à credibilidade e linha tênue entre real e fictício
O principal motivo para a suspensão da ferramenta foi o alerta emitido por profissionais de geointeligência e verificadores de fatos. Historicamente, o Google Earth é amplamente utilizado como uma fonte fidedigna e oficial para a análise de imagens de satélite, desempenhando um papel crucial em investigações jornalísticas, auditorias urbanas e checagem de veracidade de eventos globais.
Ao possibilitar a geração de cenários inventados associados a coordenadas reais e verificáveis, a novidade colocava em risco a reputação de precisão da plataforma. Especialistas apontaram que o recurso abria margem para a proliferação de desinformação visual em massa, tornando extremamente difícil para o público comum diferenciar o que era um registro fotográfico autêntico de uma criação puramente sintética.
Logo após a liberação da ferramenta, diversos internautas compartilharam nas redes sociais capturas de tela contendo representações geradas pela inteligência artificial que, de acordo com as diretrizes internas da própria gigante da tecnologia, infringiam as políticas de uso da empresa.
Resposta oficial e limitações do sistema
Em comunicado oficial, a companhia justificou a remoção temporária explicando que o recurso está sendo reavaliado para que sejam implementadas salvaguardas e travas de segurança mais robustas. A empresa destacou que as cenas geradas pelo modelo Nano Banana 2 possuíam restrições de visualização, não ficando visíveis para o público geral dentro da plataforma. Além disso, as imagens contavam com marcas d’água visíveis e também com a tecnologia SynthID — uma marca d’água invisível que pode ser detectada por ferramentas corporativas, como o Google Lens.
Mesmo antes de sua desativação definitiva, o acesso à novidade já contava com barreiras operacionais. O uso do Google Earth é atrelado a um modelo de assinatura distinto do pacote Google One, e mesmo os clientes pagantes tinham um limite diário bastante restrito para a criação de novas imagens. A implementação havia ocorrido exclusivamente no navegador web, sem chegar a ser integrada ao aplicativo móvel oficial, que ultrapassa a marca de 500 milhões de downloads apenas na Google Play Store.
Fonte:: poder360.com.br




