Conversa telefônica entre lula e trump indica caminhos para diplomacia e comércio

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O telefonema realizado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, na última sexta-feira, 21, reforça avaliações de que não existe uma animosidade pessoal por parte do republicano em relação ao governo brasileiro. A interlocução abre novas perspectivas de diálogo justamente em um momento em que a gestão norte-americana busca vitórias e movimentações positivas no cenário da política externa internacional.

Analistas apontam que a dedicação de cerca de 1 hora e 20 minutos de conversa por parte de um presidente dos Estados Unidos, em um período que antecede eleições cruciais para o Congresso, demonstra um interesse estratégico na manutenção dos laços com o Brasil. A iniciativa partiu do Palácio do Planalto e transcorreu em um clima de cordialidade entre as partes.

Houve, por parte do governo brasileiro, uma adaptação na forma de lidar com a administração norte-americana. A avaliação nos bastidores é de que o confronto direto com o chefe da Casa Blanca, que havia gerado ganhos de popularidade no ano anterior, mostra-se menos vantajoso diante do atual cenário de tarifas comerciais aplicadas contra produtos do Brasil. Em vez do embate, a postura atual prioriza a demonstração de capacidade política para dialogar diretamente com Trump, estratégia semelhante à adotada por opositores, como Flavio Bolsonaro em viagens recentes a Washington.

O principal objetivo do governo brasileiro na ligação parecia ser o reatamento das tratativas comerciais. Essas negociações haviam sido interrompidas em julho, após o encerramento do prazo de um ano das investigações da Seção 301, que imposta uma sobretaxa de 25% a mercadorias exportadas pelo Brasil. No entanto, especialistas ressaltam que a retomada das conversas exigirá disposição do lado brasileiro para negociar concessões tarifárias.

Estratégia comercial e barreiras alfandegárias

As ações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos cumprem diretrizes mais amplas de Trump para reequilibrar acordos comerciais com parceiros globais, sem focar exclusivamente no Brasil. Contudo, o impacto sobre a economia brasileira é direto devido às elevadas barreiras protecionistas mantidas historicamente pelo país sul-americano.

Durante o diálogo, conforme relatos oficiais de Brasília, o tema das eleições brasileiras foi abordado por Trump de maneira investigativa. Lula enfatizou a robustez e a segurança do sistema eleitoral nacional, obtendo como resposta a ausência de maiores contestações por parte do colega norte-americano. Com isso, especulações sobre um possível desgaste diplomático em torno da narrativa de fraudes eleitorais não avançaram durante a chamada.

Tensões diplomáticas e temas sensíveis

Apesar da conversa amigável, o relacionamento bilateral enfrenta pontos de atrito recentes, motivados por episódios como a negação de vistos a funcionários dos EUA que pretendiam monitorar o pleito brasileiro, além da demora na concessão de agrément ao embaixador indicado Daniel Perez. Esse imbróglio gerou retaliações e resultou na revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Curiosamente, este tópico sensível foi evitado e ficou de fora da pauta entre os presidentes.

Muitos dos atritos diplomáticos na região são atribuídos à atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, conhecido por sua linha dura e oposição a governos de esquerda na América Latina. Durante a ligação, Lula também ponderou sobre a classificação de cartéis do crime organizado como organizações terroristas, defendendo, em contrapartida, a ampliação da cooperação bilateral no combate à criminalidade, um ponto de convergência de interesses para a administração dos Estados Unidos.

Fonte:: estadao.com.br

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