Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram uma conversa telefônica na última sexta-feira, dia 21. De acordo
O Palácio do Planalto classificou o diálogo como amistoso e cordial, ocorrendo em meio a recentes atritos diplomáticos e comerciais entre as duas administrações. Até o momento, a Casa Branca não emitiu posicionamentos oficiais sobre o teor da ligação.
Divergências comerciais e o impasses das tarifas
Durante o telefonema, o presidente brasileiro pontuou que o caminho da negociação diplomática permanece como a alternativa mais viável para a solução de controvérsias comerciais, mesmo após a oficialização de medidas de retaliação e o recente acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro. Lula argumentou perante o colega norte-americano que a imposição de novas sobretaxas, que podem alcançar até 37,5%, fundamenta-se em premissas consideradas infundadas pelo Executivo nacional.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que o líder norte-americano concordou quanto à importância de manter laços comerciais sólidos entre as nações, sugerindo que comissões técnicas de ambos os países retomem as tratativas presenciais com a maior brevidade possível.
No comunicado oficial detalhado pela Secom, o presidente brasileiro reforçou que as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos — que embasaram as sanções tarifárias e envolveram tópicos como políticas ambientais, propriedade intelectual, combate à corrupção, transações via Pix, biocombustíveis e alfândegas — carecem de embasamento real, prejudicando economicamente tanto o mercado brasileiro quanto o estadunidense.
Cooperação internacional no combate ao crime
Outro ponto central da conversa diz respeito à segurança pública e ao enfrentamento ao crime organizado transnacional. O presidente brasileiro cobrou maior reciprocidade em propostas de colaboração previamente entregues diretamente em Washington, voltadas a estancar o fluxo ilícito de armas e capitais.
Em relação à pressão de Washington para classificar facções criminosas brasileiras, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, Lula reiterou sua posição contrária. O mandatário argumentou que, embora tais estruturas criminosas imponham um cenário de medo cotidiano às comunidades vulneráveis, suas naturezas jurídicas e operacionais não se equiparam ao terrorismo internacional, dispondo o Brasil de arcabouço normativo próprio para contê-las.
Como demonstração das ações internas, foram mencionadas iniciativas como a estratégia de sufocamento financeiro de atividades marginais — que já viabilizou o sequestro de aproximadamente R$ 17 bilhões —, os projetos para a conversão de unidades prisionais em estabelecimentos de segurança máxima, a sanção da chamada Lei Antifacção e a proposta de emenda constitucional voltada a conferir maior integração entre a União e os estados federados na área de segurança. Também foi citado o funcionamento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, situado em Manaus. Diante dos argumentos, Trump manifestou disposição em mobilizar equipes de alto nível para intensificar a cooperação mútua no setor.
Cenário geopolítico global e conflitos
A agenda internacional também integrou o diálogo entre os líderes, que avaliaram o panorama de crises geopolíticas atuais, com ênfase nos conflitos armados na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos os governantes convergiram sobre a premência de buscar entendimentos diplomáticos para o encerramento da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Adicionalmente, o presidente brasileiro expressou ressalvas quanto à eficácia das resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e renovou a defesa por uma convocação extraordinária do colegiado para debater saídas pacíficas para as instabilidades internacionais correntes, sustentando que figuras de liderança global devem ser reconhecidas por sua capacidade de encerrar hostilidades.
Fonte:: estadao.com.br




