Governo italiano planeja restringir véus islâmicos nas salas de aula e limitar estrangeiros

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou que o governo pretende implementar novas restrições no sistema educacional do país. As medidas incluem a proibição do uso da burca e do niqab — véus islâmicos integrais — nas escolas, além de um endurecimento nas regras sobre a proporção de alunos estrangeiros em cada turma. O anúncio foi feito neste domingo, 20, durante um evento da juventude do partido Irmãos da Itália.

Considerada uma das principais portas de entrada para migrantes na União Europeia, a Itália debate intensamente a integração de estrangeiros, um tema que ganha força no cenário político local. “Será apresentada uma medida em uma sessão do Conselho de Ministros para estabelecer legalmente um número máximo de alunos estrangeiros por turma”, declarou Meloni ao público presente no evento partidário.

Além da limitação numérica por sala de aula, a proposta governamental prevê o veto às vestimentas que cobrem totalmente o rosto nas dependências escolares. Outro ponto abordado pela primeira-ministra é a obrigatoriedade de que os pais de estudantes estrangeiros que apresentem dificuldades de adaptação no sistema de ensino italiano participem de cursos para aprender o idioma local.

A discussão sobre o tema ganha tração em um momento de pressão política à direita. Em julho, a legenda Futuro Nacional (FN), posicionada ainda mais à direita que o partido de Meloni e fora da coalizão governista, já havia exigido posturas mais firmes contra o uso da burca nas instituições de ensino. Desde a sua fundação em fevereiro, o grupo tem crescido nas pesquisas de opinião, impondo um desafio direto à liderança da atual chefe de governo.

Historicamente, a legislação italiana não possui uma proibição explícita sobre o uso da burca em locais públicos ou escolas. No entanto, uma norma estabelecida em 1975 penaliza o uso “sem justificativa” de capacetes ou vestimentas que impeçam a identificação civil de um indivíduo. Em 2008, o principal tribunal administrativo do país determinou que o uso de véus integrais por motivos culturais ou religiosos era permitido, desde que o rosto fosse descoberto sempre que houvesse necessidade de verificação de identidade.

Atualmente, as diretrizes sobre a presença de estudantes estrangeiros já preparam o terreno regulatório. Dados do Instituto Nacional de Estatística (ISTAT) apontam que os alunos estrangeiros compõem 12% da base de matriculados nas escolas italianas. Desde 2010, existe um teto que restringe a 30% a presença de estudantes estrangeiros por turma e por estabelecimento de ensino.

Esse limite, contudo, possui flexibilizações. Ele pode ser ultrapassado caso os alunos estrangeiros possuam proficiência linguística adequada — como aqueles que nasceram na Itália —, ou reduzido caso a instituição identifique um domínio insuficiente da língua por parte dos matriculados. Meloni ainda não detalhou quais serão as modificações exatas que o Executivo pretende introduzir na norma vigente.

Trajetória política de Giorgia Meloni

Nascida em Roma, Giorgia Meloni tem 48 anos e fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra da Itália, empossada em 2022 pelo presidente Sergio Mattarella. Sua militância política começou cedo, aos 15 anos, em movimentos estudantis. Aos 19, já atuava como liderança nacional do Azione Studentesca, o braço estudantil do Aliança Nacional, herdeiro político do Movimento Social Italiano, extinto em 2009.

Na juventude, a atual premiê fez declarações que repercutiram amplamente. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian quando tinha 19 anos, ela avaliou a figura de Benito Mussolini afirmando que ele era um bom político e que suas ações visavam o bem do país. Com o passar dos anos, Meloni buscou distanciar sua imagem de qualquer associação com o fascismo, consolidando-se como uma liderança conservadora tradicional.

Sua carreira institucional avançou em 1998, quando foi eleita conselheira da Província de Roma pelo Aliança Nacional, cargo que ocupou até 2002. Em 2006, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados pela primeira vez. Dois anos mais tarde, assumiu o Ministério da Juventude, tornando-se, aos 31 anos, a ministra mais jovem da história republicana italiana.

Em 2012, fundou o partido Irmãos da Itália. Quatro anos depois, disputou a prefeitura de Roma, mas foi derrotada ainda no primeiro turno. Além da atuação política, Meloni é autora de livros, incluindo a autobiografia “Eu sou Giorgia: Minhas Raízes, Meus Princípios”, publicada em 2021.

No âmbito pessoal, a premiê foi casada com o apresentador de televisão Andrea Giambruno, com quem tem uma filha. O casal se divorciou em 2023, após o comunicador se envolver em polêmicas públicas ao sugerir, durante um programa, que mulheres poderiam evitar episódios de violência sexual caso evitassem o consumo excessivo de álcool.

Fonte:: estadao.com.br

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