O ministro aposentado Celso de Mello, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, manifestou profundo pesar pelo falecimento do jornalista Márcio Chaer, diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico. O passamento do profissional ocorreu em São Paulo, gerando forte repercussão e comoção entre magistrados, operadores do direito e profissionais da imprensa que acompanham a editoria jurídica no país.
Ao relembrar a trajetória de Chaer, o magistrado destacou uma relação de amizade construída ao longo de mais de quatro décadas. O conhecimento mútuo teve início em 1985, período em que Celso de Mello ainda integrava o Ministério Público do Estado de São Paulo. Para o ex-presidente da Suprema Corte, a perda possui uma dimensão tanto profissional quanto estritamente pessoal, marcada por lembranças e respeito mútuo cultivados ao longo dos anos.
Nelson Jr./SCO/STF — Márcio Chaer e Celso de Mello durante o lançamento da edição de 2011 do Anuário Brasil.
Pioneirismo na cobertura do Poder Judiciário
Durante sua manifestação oficial, o ministro aposentado enfatizou o caráter pioneiro do trabalho desenvolvido por Márcio Chaer na imprensa brasileira. Em uma época em que o funcionamento dos tribunais e a rotina do Poder Judiciário permaneciam distantes do cotidiano da maioria dos cidadãos e eram pouco explorados pelos veículos tradicionais de comunicação, o jornalista assumiu o papel de lançar luz sobre as instituições de Justiça.
Segundo o magistrado, essa iniciativa permitiu que as atividades dos tribunais passassem a ser amplamente compreendidas, examinadas e debatidas pela sociedade. Ao expor as realizações, os desafios, as contradições e a própria dimensão humana dos protagonistas do sistema de justiça, o profissional contribuiu de maneira definitiva para a transparência e o fortalecimento democrático das instituições jurídicas nacionais.
A criação da revista Consultor Jurídico
Um dos pontos centrais destacados por Celso de Mello em sua homenagem foi a fundação da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur). Para o ex-presidente do STF, o portal representa a expressão mais duradoura do legado deixado por Chaer, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para a comunidade jurídica acompanhar os acontecimentos diários dos tribunais e debater os rumos do Direito no Brasil.
A obra editorial capitaneada pelo jornalista ampliou de forma expressiva o espaço dedicado à informação qualificada e à reflexão crítica sobre as leis e a jurisprudência. Com isso, ofereceu aos operadores do direito — entre advogados, promotores, defensores, juízes e ministros — um canal autônomo e aprofundado de diálogo institucional.
Encerrando sua manifestação, o ministro Celso de Mello reiterou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de redação do jornalista, ressaltando que, embora a ausência física deixe um vazio doloroso na área da comunicação, a obra e o exemplo deixados por Márcio Chaer permanecerão vivos na história do jornalismo jurídico e na memória daqueles que acompanharam sua dedicação à Justiça brasileira.
Fonte:: conjur.com.br


