Governo dos Estados Unidos investe na corrida da computação quântica

Redação Rádio Plug
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Empresa de chips instalada em Nova York recebeu...

O governo dos Estados Unidos deu início a uma série de articulações estratégicas para assegurar a liderança global no mercado de computação quântica. Embora a tecnologia ainda esteja a pelo menos cinco anos de alcançar produtos comercialmente viáveis, especialistas apontam que o movimento busca antecipar demandas futuras e evitar dependências externas em setores críticos da economia.

A computação quântica difere dos sistemas tradicionais por utilizar as leis da física quântica para solucionar problemas altamente complexos em questão de segundos, operando por meio de um vasto leque de dimensões e possibilidades. A tecnologia não tem como objetivo substituir dispositivos de uso cotidiano, como smartphones e notebooks, mas apresenta alto potencial de aplicação comercial em áreas como o desenvolvimento de novos fármacos, materiais avançados, além dos setores aeroespacial, automotivo e de defesa.

No cenário norte-americano, o ecossistema quântico engloba centenas de empresas e divide-se em frentes como computação, comunicação e sensoriamento. Esta última, em breve, deverá ser empregada na detecção de fenômenos naturais, como secas, tsunamis e terremotos, bem como na exploração de recursos minerais, petróleo e gás. Startups, instituições de pesquisa, universidades e grandes empresas de tecnologia disputam espaço para transformar essa complexa matriz científica em soluções comerciais.

Estratégia e o papel do HRL Laboratories

Para consolidar o protagonismo na área, o governo dos EUA tem contado com a colaboração de instituições-chave, a começar pelo HRL Laboratories. Situado em Malibu, na Califórnia, o centro privado é focado no desenvolvimento de propriedades intelectuais, protótipos de alta tecnologia e fabricação em pequena escala de componentes avançados.

O laboratório destaca-se internacionalmente pelas pesquisas com qubits de spin em silício, os chamados bits quânticos. Esses elementos atuam no armazenamento e processamento de dados, simulando o comportamento de átomos e moléculas com um nível de precisão inalcançável para os computadores convencionais, formando a base da infraestrutura quântica.

Esse avanço tecnológico motivou a IBM a adquirir 100% do HRL. Anteriormente, o laboratório operava sob o controle conjunto da Boeing e da General Motors, companhias que manterão a cooperação com a gigante de tecnologia mesmo após a conclusão do negócio.

Segundo Thaddeus Ladd, cientista-chefe da Divisão de Física Computacional do HRL, a aquisição marca uma transição importante na indústria, que passa de uma fase estritamente voltada à pesquisa acadêmica para um modelo focado na comercialização.

Infraestrutura nacional e produção em escala

A compra do laboratório integra uma série de ações coordenadas entre a IBM e o Departamento de Comércio dos EUA. Em maio, as partes criaram a subsidiária Anderon para estruturar uma linha de produção de wafers voltados à computação quântica.

Com sede no polo de Albany, em Nova York, a operação recebeu aportes de US$ 1 bilhão do governo norte-americano — viabilizados por meio da lei de incentivos Chips and Science Act — e outro bilhão investido pela própria IBM.

A escolha pelo silício como matéria-prima traz vantagens logísticas, pois permite aproveitar fundições, maquinários e técnicas já utilizadas na fabricação em massa de semicondutores tradicionais para computadores e celulares. Desse modo, o setor evita a necessidade de criar métodos industriais do zero.

Com a iniciativa, Washington busca evitar vulnerabilidades semelhantes às observadas na cadeia de microchips tradicionais, cuja produção é fortemente concentrada em Taiwan, sob a tutela de empresas como a TSMC.

A expectativa de especialistas é que, embora o cronograma preveja o início imediato dos trabalhos conjuntos entre IBM e HRL, a fabricação em escala comercial não ocorra antes de cinco anos. O acesso ao produto final em âmbito internacional deverá seguir regulamentações rígidas, incluindo controles de exportação do governo dos Estados Unidos, embora a intenção seja comercializar a tecnologia globalmente após a consolidação do mercado.

Fonte:: poder360.com.br

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