Como a inteligência artificial e a industrialização estão redefinindo o setor da construção civil

Redação Rádio Plug
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A construção civil vive um momento de profunda transformação em seus métodos tradicionais. Impulsionado pela busca por maior produtividade, padronização rigorosa e diminuição de retrabalhos, o setor tem incorporado práticas que aproximam a rotina dos canteiros de obras de um modelo genuinamente industrial. Tecnologias como inteligência artificial, modelagem digital, automação, conceitos de construção enxuta e a fabricação prévia de componentes agora participam de todas as fases dos empreendimentos imobiliários.

Essa nova realidade é ilustrada pelo mais recente Termômetro do Setor da Construção Civil, levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Os dados revelam que 55% das empresas consultadas já fazem uso da metodologia BIM, enquanto 41% aplicam o conceito de Lean Construction e 37% utilizam ferramentas de inteligência artificial. O avanço da IA é expressivo se comparado a 2023, quando apenas 15% das companhias relatavam adotá-la. O estudo aponta ainda que 28% utilizam drones, 10% recorrem à realidade virtual e aumentada, e 9% implementam soluções de Internet das Coisas (IoT).

Da prospecção de terrenos ao planejamento digital

A aplicação dessas inovações começa bem antes de o primeiro tijolo ser assentado. Na fase de prospecção, por exemplo, a inteligência artificial é empregada para analisar dados geográficos, ambientais e legais de áreas potenciais para expansão territorial. O que antes demandava semanas de análises manuais agora é concluído em questão de dias ou horas, dependendo do volume de dados.

A adoção de tecnologias avançadas se estende por diversos departamentos corporativos. A criação de setores específicos voltados para a automação e o tratamento de grandes massas de dados permite que as equipes de engenharia e gestão tenham acesso rápido a informações estratégicas, subsidiando tomadas de decisão mais assertivas e ágeis.

Em paralelo, o planejamento digital e a construção enxuta ganham espaço na rotina operacional. A metodologia *Lean Construction* passou a ser integrada desde a fase inicial de concepção dos projetos até a execução física e as áreas de suporte, organizando fluxos de trabalho, monitorando metas e antecipando potenciais gargalos ou riscos operacionais.

O uso conjunto desses métodos com a plataforma BIM — que centraliza as informações do empreendimento em um modelo digital tridimensional — assegura que grande parte dos projetos chegue à fase de execução com um nível superior de maturidade. Ferramentas de gestão integrada permitem total rastreabilidade dos processos e o compartilhamento de uma base comum de dados entre projetistas, planejadores e equipes de campo, minimizando imprevistos durante o andamento das obras.

Industrialização de componentes e novas tecnologias de materiais

Outro pilar dessa revolução no setor imobiliário é a industrialização dos processos construtivos. Companhias do segmento têm internalizado a produção de kits elétricos, hidráulicos e de acabamento em unidades fabris dedicadas, afastando parte da fabricação do ambiente do canteiro de obras.

A produção antecipada desses insumos reduz a dependência de mão de obra intensiva em determinadas etapas, além de enxugar prazos, cortar custos operacionais e mitigar consideravelmente a incidência de falhas e retrabalhos. A padronização rigorosa também se reflete na tipologia dos apartamentos, o que simplifica as etapas de execução e eventuais manutenções futuras.

O ecossistema da construção também testa ativamente novos materiais e soluções construtivas mais eficientes. O uso de telhas tipo sanduiche em substituição ao fibrocimento, a aplicação de pisos vinílicos e revestimentos de PVC e PET no lugar da cerâmica tradicional, e a adoção de sistemas plásticos modulares para captação e infiltração de águas pluviais demonstram a busca constante por alternativas mais sustentáveis e ágeis.

No monitoramento da qualidade, os drones assumem papel de destaque em inspeções visuais de fachadas e coberturas, cujas imagens são integradas aos bancos de dados corporativos. Além disso, o setor já estuda a introdução de robôs nos canteiros e projetos-piloto com estruturas industrializadas do tipo *Lightwall*.

Qualificação profissional e novas diretrizes

Toda essa revolução tecnológica e metodológica impõe, naturalmente, uma adaptação na qualificação da mão de obra. Programas de capacitação técnica voltados para a formação de montadores de sistemas construtivos, instalações elétricas e drywall tornam-se essenciais para preparar colaboradores e parceiros.

Comitês internos de inovação passam a ditar o ritmo da experimentação de materiais e da otimização de processos, visando à integração definitiva entre os sistemas de planejamento, orçamento e controle de obras. Dessa forma, a construção civil redefine suas fronteiras operacionais, transferindo grande parte do esforço de planejamento e fabricação para o período anterior ao início da obra, enquanto os canteiros se tornam locais de montagem controlada e guiada por dados.

Fonte:: diariopr.com.br

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