O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu evitar que mais de 2.500 cientistas deixassem o país ou permanecessem atuando exclusivamente no exterior. A informação foi divulgada pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante entrevista realizada em seu gabinete, em Brasília.
De acordo com a titular da pasta, o resultado foi alcançado por meio de um programa estruturado para atrair e fixar talentos científicos, vinculado ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com vigência voltada para o período entre 2023 e 2026. “Conseguimos que mais de 2.500 cientistas voltassem para o país ou fizessem desafios em rede fora do país”, pontuou a ministra.
Durante a conversa, a chefe da pasta também abordou a questão da sustentabilidade financeira do ministério. Ela destacou o papel fundamental do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) como um mecanismo essencial para garantir recursos contínuos, blindando o setor contra as oscilações típicas do Orçamento geral da União.
Os recursos que alimentam o fundo são provenientes da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Segundo a administração federal, foi justamente essa estrutura de financiamento que viabilizou o montante expressivo de R$ 53 bilhões investidos no setor dentro do intervalo analisado.
Superação da dependência tecnológica externa
No decorrer da entrevista, Luciana Santos enfatizou a necessidade de o Brasil diminuir a sua dependência em relação a tecnologias estrangeiras, especialmente em setores considerados vitais para a soberania nacional, a exemplo de semicondutores, microchips, inteligência artificial e o mercado de terras raras.
A diretriz segue uma orientação central da gestão federal. “O desafio é esse que Lula tem repetido várias vezes. É que a gente não pode repetir os ciclos econômicos que caracterizaram a nossa história de desenvolvimento, que é sermos exportadores de matéria-prima e importadores de manufatura. Queremos dominar todos os ciclos: desde a separação, extração, refinamento e os insumos que são muito decisivos para a economia contemporânea”, declarou.
Entre as iniciativas práticas em andamento para cumprir esse objetivo, destacam-se:
- Supercomputador: A ministra mencionou o edital lançado para a aquisição de um supercomputador de alta performance que será instalado em Macaíba (RN), na região metropolitana de Natal, com expectativa de figurar entre os dez mais potentes do planeta.
- Computador quântico: Foi confirmada a compra conjunta, realizada em parceria com o governo do Estado da Paraíba, de um sistema quântico pioneiro no território nacional.
- Terras raras: O país conta com patentes voltadas para processos de separação e jazidas mapeadas. Um edital lançado em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no valor de R$ 5 bilhões, buscou estimular o processamento interno dos minérios. “O que veio de demanda não só das universidades como da iniciativa privada foram R$ 85 bilhões. São R$ 80 bilhões a mais, o que revela que estão fervendo soluções e desafios”, avaliou.
- Inteligência artificial: O projeto SoberanIA foi citado como um marco na criação de uma base de dados nacional (LLM) estruturada em língua portuguesa, reunindo mais de 200 bilhões de palavras a partir da agregação de dados governamentais.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial integra o rol de prioridades recentes. A elaboração foi solicitada pelo Palácio do Planalto ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia em 2024, sendo apresentada formalmente durante a Conferência Nacional da área. De acordo com o ministério, mais de 64% das ações previstas já foram executadas, com um planejamento financeiro de R$ 25 bilhões ao longo de cinco anos.

“Conhecemos menos de 30% do subsolo brasileiro. Mesmo assim, já somos a 2ª reserva mundial de terras raras”, ressaltou a ministra durante o diálogo com a imprensa.
Planejamento estratégico e projetos estruturantes
A gestão da pasta também tem se dedicado à consolidação de um plano de metas com horizonte de cinco anos. O objetivo principal é atrelar o orçamento diretamente às diretrizes de execução da Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia.
Entre os empreendimentos de grande porte tocados pelo governo estão o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear, voltado à defesa da costa brasileira, e o avanço do projeto Sirius, um laboratório de luz síncrotron que funciona como um acelerador de partículas avançado.
Segundo a ministra, a infraestrutura tecnológica em desenvolvimento trará autonomia em áreas críticas da saúde pública e da indústria farmacêutica. “Isso vai possibilitar que o Brasil se antecipe às pandemias, porque vai manipular patógenos, vírus e fungos. No Brasil, por exemplo, a gente hoje não pode manipular ebola e vamos poder. Temos mais de 80% de dependência de radioisótopos, que é um insumo importante para medicamentos de câncer. Em 7 anos nós vamos nos tornar autônomos e ainda vamos exportar”, garantiu.
Cenário político
Questionada sobre a possibilidade de permanência no comando do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a presidente licenciada do PC do B pontuou que ainda não houve tratativas diretas com o presidente Lula sobre o tema.
“Isso ele vai fazer no tempo certo, raciocinando. Não é simples […] Acredito que no máximo ele tenha tido conversas sobre esse problema mais emergencial, que é da Fazenda, até por conta dessas trepidações da Bolsa”, concluiu.
Fonte:: poder360.com.br



