Bairro de Curitiba se prepara para a chegada de mosquitos que combatem a dengue

Redação Rádio Plug
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Foto: Foto: Hully Paiva/SECOM

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (SMS) iniciou a implantação do Método Wolbachia no bairro Sítio Cercado como parte das ações para combater a dengue, zika e chikungunya. Neste estágio inicial, a ação foca no diálogo com a comunidade local, incluindo moradores, comerciantes e escolas, com a previsão de que a liberação dos mosquitos Aedes aegypti modificados geneticamente, também conhecidos como wolbitos, ocorra até o final de julho.

A bactéria Wolbachia, que é inofensiva para os seres humanos e o meio ambiente, atua na inibição da transmissão dos vírus causadores das doenças mencionadas. A introdução desse método na capital paranaense é fruto de uma parceria técnica entre a Prefeitura de Curitiba e a empresa local Wolbito do Brasil, que é ligada ao Instituto de Biologia Molecular do Paraná – IBMP/Fiocruz Paraná.

O papel do El Niño

A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, destacou que a implementação do método representa um avanço significativo na estratégia da Prefeitura para proteger a população contra a dengue. “Essa tecnologia é baseada em robustas evidências científicas e complementa as ações de combate ao mosquito que já estão em vigor desde 2024”, comentou.

Ela enfatizou os bons resultados alcançados até agora, com uma redução de 92% nos casos de dengue em 2025, e uma nova queda de 94% em comparação com o ano anterior. Contudo, com a expectativa da influência do fenômeno El Niño, que pode trazer um aumento de chuvas e, consequentemente, o crescimento na circulação do vírus, a Prefeitura se prepara para enfrentar os desafios com mais inovação e medidas preventivas.

O Método Wolbachia já demonstrou sucesso em várias cidades do Brasil e em 14 outros países, contribuindo para a redução de até 89% nos casos de dengue em Niterói (RJ), consolidando-se como uma ferramenta importante ao lado das práticas tradicionais de combate ao mosquito.

Mobilização comunitária

No dia 10 de julho, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias da região iniciaram um trabalho de sensibilização e orientação casa a casa no Sítio Cercado, que se estenderá a escolas, unidades de saúde, espaços públicos e ao comércio local.

Maria de Lourdes dos Santos, aposentada e residente da área, expressou sua preocupação em relação ao mosquito da dengue, mas comentou que a visita dos agentes e a informação sobre a nova tecnologia proporcionaram maior tranquilidade. “É importante que todos façam sua parte, mantendo a limpeza e se livrando de qualquer recipiente que possa acumular água”, afirmou Maria.

A dona de casa Andressa Caroline compartilhou uma perspectiva positiva sobre a iniciativa. “Fico aliviada sabendo que a saúde pública está focada em melhorar nossa qualidade de vida e combater a dengue”, comentou.

Preparação contínua

No início de junho, uma série de capacitações foi realizada para os agentes de saúde, educadores da rede municipal e estadual, além de assistentes sociais, para que se tornassem multiplicadores da informação sobre o Método Wolbachia.

“Estamos iniciando uma nova fase de mobilização, que inclui visitas domiciliares e ações educativas em escolas e centros de saúde”, explicou Francielle Cristine Narloch, diretora do Centro de Saúde Ambiental da SMS, responsável pela cooperação técnica.

Uma pesquisa de avaliação da compreensão da população sobre o método será feita antes da liberação dos wolbitos, garantindo que as informações sejam bem assimiladas.

Juliano Ribeiro, coordenador de Saúde Ambiental da SMS, detalhou que a liberação dos mosquitos será feita utilizando duas abordagens: a inoculação de ovos e a soltura de mosquitos adultos. Essa metodologia permitirá uma comparação dos resultados em condições reais, ajudando a moldar futuras expansões da iniciativa ao longo de 26 semanas, a partir do início das liberações.

Acordo de cooperação

O projeto no Sítio Cercado só é possível devido ao termo de cooperação técnica assinado entre a Prefeitura de Curitiba e a Wolbito do Brasil, durante a edição do Smart City Expo Curitiba em março. A empresa, que opera em Curitiba desde 2025, conta com a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo, destacando a cidade na vanguarda de soluções inovadoras para a saúde pública.

Sandro Luz, diretor da Wolbito do Brasil, garantiu a segurança do método: “É seguro e autossustentável, e oferecerá um serviço de excelência para diminuir os casos de dengue na cidade”, avaliou.

A Wolbito do Brasil, em parceria com o Ministério da Saúde, atua em municípios brasileiros prioritários definidos segundo critérios de infestação, e, embora Curitiba não seja um deles, a cooperação permitirá que a cidade tenha acesso à tecnologia de combate ao mosquito.

Incentivo à inovação

Além disso, a Wolbito do Brasil se beneficia do apoio do Tecnoparque, programa que reduz em 3% o ISS (Imposto Sobre Serviços) para projetos inovadores em Curitiba. Desde sua reativação em 2018, o programa já destinou R$ 500 milhões em incentivos fiscais, beneficiando 130 empresas e fortalecendo uma rede de desenvolvimento para inovações tecnológicas na cidade.

A Wolbito do Brasil é resultado da parceria estratégica entre o IBMP, vinculado à Fiocruz Paraná, e o World Mosquito Program, que detém a patente da tecnologia. O IBMP resulta de uma cooperação entre a Fiocruz e o Governo do Paraná, através do Tecpar, e ambos são apoiados pelo Tecnoparque.

Fonte:: bemparana.com.br

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