Bilhetes com ordens do PCC levam à prisão de Deolane Bezerra durante operação policial

Redação Rádio Plug
4 min. de leitura
Foto: © dra.deolanebezerra/Instagram

Bilhetes apreendidos em 2019, que continham ordens internas do Primeiro Comando da Capital (PCC), resultaram na abertura de uma investigação pela polícia, culminando na Operação Vérnix, deflagrada na última quinta-feira, 21, pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. As ordens estavam em poder de integrantes da facção criminosa e foram descobertas em um presídio localizado em Presidente Venceslau, interior de São Paulo.

Conforme informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), os bilhetes não mencionavam diretamente o nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, ela foi presa durante a operação. No entanto, esses documentos foram o início das investigações que mostraram que Deolane recebia valores provenientes de uma transportadora que, segundo apurações, foi criada pelo PCC e possui sede em Presidente Venceslau.

Operação e Alvos

A investigação também se viu direcionada a figuras centrais do PCC, como Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que se encontra preso na Penitenciária Federal de Brasília. Outros alvos incluem Alejandro Camacho, também detido, e Paloma Sanches Herbas Camacho, que é sobrinha de Marcola e atualmente foragida na Espanha. Além deles, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, outro sobrinho, foi identificado como destinatário dos recursos supostamente lavados pela família e estaria na Bolívia.

As autoridades expediram seis mandados de prisão preventiva e bloquearam mais de R$ 327 milhões, além de apreender 17 veículos de luxo e quatro imóveis. O trabalho conta com o apoio da Polícia Federal e do Ministério Público, que estão auxiliando nas buscas internacionais, e os investigados foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol.

As Consequências da Operação

O promotor Lincoln Gakiya, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), destacou a relevância das investigações, que conseguiram alcançar Marcola e seu irmão Alejandro, mesmo eles estando encarcerados. Isso demonstra que, apesar da prisão, eles conseguiram continuar operando, deixando ordens e comunicações externas.

Segundo Gakiya, as cartas encontradas anteriormente na penitenciária impulsionaram as investigações até a transportadora mencionada. “A empresa pertencia, de fato, à família Camacho, onde esse dinheiro foi lavado. Marcola possui mais de 300 anos de pena a cumprir e certamente enfrentará novos processos como resultado deste caso”, afirmou o promotor.

A operação poderá ter desdobramentos adicionais, envolvendo Deolane com outras pessoas e empresas ligadas a apostas, apelidadas de “bets”. O promotor observou que, nos últimos anos, especialmente a partir de 2022, Deolane verificou um crescimento notável em seus ganhos financeiros, o que não parece estar correlacionado ao trabalho que ela realiza. Essa situação poderá resultar em investigações sobre sonegação fiscal e outras práticas de lavagem de dinheiro.

Investigação do Relacionamento com o Crime Organizado

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, relatou que, mediante a abertura dos sigilos bancário e fiscal, a investigação constatou que Deolane mantém contatos com outras instâncias do crime organizado. A influenciadora se apresentava como uma espécie de caixa para essas operações ilícitas. Costa esclareceu que, devido ao poder econômico e influência que Deolane acumulou ao longo do tempo, o crime organizado deposita valores em sua conta, que posteriormente podem ser redirecionados novamente ao crime.

“A prisão de uma influenciadora como essa, que possui mais de 20 milhões de seguidores, possui um caráter pedagógico. Esperamos que esta ação cause um efeito de inibição”, finalizou o procurador.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo