Debate presidencial na Globo tem troca de farpas e discussão sobre propostas

Redação Rádio Plug
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Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O debate televisivo entre os candidatos à Presidência da República exibido pela TV Globo foi marcado por momentos de forte tensão, troca de acusações diretas e embates sobre propostas econômicas e sociais. O confronto colocou frente a frente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que protagonizaram discussões acaloradas ao longo do programa.

Um dos momentos mais críticos da noite ocorreu quando Flávio Bolsonaro fez uma declaração que irritou profundamente o atual mandatário. O candidato do PL afirmou que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”. A fala fez referência ao fato de Lula ter perdido o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, quando trabalhava como torneiro mecânico.

Visivelmente indignado, o petista interrompeu a dinâmica para repudiar o comentário. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me aponte ou me chame de nove dedos”, declarou Lula, exigindo um pedido de desculpas público e argumentando sobre os riscos enfrentados pela classe trabalhadora.

Diante da repercussão negativa imediata, Flávio Bolsonaro voltou atrás e pediu desculpas pelo comentário. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender”, afirmou. No entanto, o senador retomou o tom crítico logo em seguida, cobrando explicações do governo sobre o aumento da população em situação de rua e rechaçando o termo pejorativo usado pelo adversário.

Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua indicam que o país registrava 365,8 mil pessoas nessa condição em dezembro de 2025. O número representa uma alta de 55% em comparação a 2022, embora especialistas ponderem que variações metodológicas na contagem e a busca ativa de assistência possam influenciar estatísticas do tipo.

Debate sobre políticas sociais e direitos

O cenário de embates seguiu com discussões sobre direitos trabalhistas e programas de assistência. Lula questionou o adversário sobre um voto desfavorável à ampliação da licença-maternidade desferido por Flávio quando este atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro. O parlamentar reconheceu a atitude do passado e pontuou que sua visão sobre o tema mudou com a vivência familiar.

“Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho”, justificou o candidato do PL.

Lula, por sua vez, classificou a resposta como evasiva e relembrou declarações antigas de Flávio nas redes sociais em que o programa Bolsa Família era criticado e chamado de “bolsa-farelo”. Em tréplica, o representante da oposição garantiu que pretende manter e fortalecer os programas de transferência de renda caso seja eleito.

Economia, dívidas e o papel do SUS

O panorama econômico também esteve no centro das discussões. Flávio Bolsonaro questionou o governo sobre o endividamento das famílias e o patamar da dívida pública, mencionando um montante de R$ 11 trilhões referente à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Como solução, propôs utilizar a Caixa Econômica Federal para adquirir dívidas bancárias da população e refinanciá-las.

O presidente rebateu afirmando que a iniciativa de renegociação de débitos já faz parte de ações executadas por sua gestão e que propostas semelhantes já foram encaminhadas ao Legislativo, mencionando operações anteriores voltadas para milhões de cidadãos endividados. Para Lula, a inflação e os juros elevados refletem tanto o cenário internacional quanto a condução da política monetária pelo Banco Central.

No setor de saúde, os candidatos divergiram sobre o financiamento e a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). O chefe do Executivo criticou declarações atribuídas a aliados do adversário sobre cortes de investimentos na saúde pública e relembrou a condução de políticas sanitárias durante a pandemia de covid-19. Flávio prometeu ampliar os aportes financeiros na rede pública, criticou filas de atendimento e sugeriu a revisão da tabela de procedimentos do SUS, além de apontar a necessidade de maior rigor contra a burocracia estatal.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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