O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a fiscalização sobre as grandes plataformas de tecnologia na reta final do período eleitoral. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, estabeleceu um prazo de 24 horas para que a Meta — conglomerado responsável por redes como Facebook, Instagram e WhatsApp — e a rede social X apresentem esclarecimentos detalhados sobre os critérios adotados na distribuição de conteúdos de natureza política e nos procedimentos de remoção de publicações.
A determinação do ministro integra um processo formal aberto pela campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. A acusação formal aponta um suposto favorecimento algorítmico nas plataformas em favor de conteúdos associados ao candidato Flávio Bolsonaro, principal adversário na disputa do segundo turno pela Presidência da República.
Como exemplo prático de tratamento desigual, a coligação governista destacou a exclusão de um vídeo do projeto Revelando, estrelado pelo artista MC Cabelinho. A produção, que trazia críticas direcionadas a Flávio Bolsonaro, foi banida do Instagram logo após sua publicação, sob a justificativa de uso excessivo de recursos de Inteligência Artificial.
Diante da proximidade do pleito marcado para o próximo domingo (25), o corregedor eleitoral avaliou que a situação exige respostas rápidas. Para Cueva, o episódio “justifica a adoção de providências destinadas a esclarecer os fundamentos da remoção e a assegurar sua pronta reavaliação”.
Apesar da urgência na apuração, o magistrado ponderou que os indícios trazidos aos autos até o momento ainda não são suficientes para comprovar que o vídeo sofreu “tratamento diferenciado em razão de sua orientação político- eleitoral”. Como desdobramento, ele determinou que a Meta submeta imediatamente o arquivo digital a uma análise conduzida por moderadores humanos.
As contestações da campanha de Lula abrangem também a gestão de anúncios impulsionados. Segundo os representantes da candidatura, as propagandas oficiais estariam sofrendo limitações artificiais de alcance, com uma entrega significativamente menor para o material ligado à campanha lulista, além de uma assimetria na distribuição orgânica que beneficiaria o campo político opositor.
Outro ponto de atrito levantado pela defesa jurídica envolve a atuação da ferramenta de Inteligência Artificial Grok, integrada à rede social X. Os advogados argumentam que o sistema apresenta respostas contraditórias ou tendenciosas quando submetido a questionamentos equivalentes sobre as duas candidaturas presidenciais em disputa.
Em manifestação anterior protocolada junto ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, a Meta negou veementemente qualquer prática de tratamento desigual entre os postulantes ao cargo máximo do Executivo federal, assegurando que cumpre rigorosamente todas as diretrizes estabelecidas pela legislação eleitoral brasileira.
Como parte dos esforços para garantir a lisura e a estabilidade do processo de votação, a presidência do TSE agendou para esta sexta-feira (23) uma reunião decisiva com executivos e representantes das principais plataformas de tecnologia e redes sociais em atuação no país, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e Kwai, marcando o encerramento dos diálogos institucionais com o setor antes da abertura das urnas.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


