Ministra defende papel de estatais e alerta sobre segurança de dados no Brasil

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O debate tecnológico ganhou espaço central na corrida eleitoral e colocou em lados opostos as visões sobre o futuro da administração pública brasileira. A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, manifestou forte oposição às propostas da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, especialmente no que tange à privatização de empresas estratégicas e à substituição de servidores por ferramentas tecnológicas.

Em recente entrevista, a chefe da Pasta rebateu os argumentos da coordenação econômica da oposição e enfatizou que o conceito de governo digital no país está intrinsecamente conectado à atuação do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Segundo a ministra, ambas as companhias estatais são altamente rentáveis e projetam investimentos expressivos para resgatar e manter em território nacional informações fundamentais do Estado e da população.

A discussão ganha relevância em meio aos planos de desestatização debatidos por diferentes correntes políticas. Dweck recordou que tanto o Serpro quanto a Dataprev integraram o Programa Nacional de Desestatização durante a gestão anterior. A possibilidade de repassar essas estruturas à iniciativa privada gera apreensão no atual governo quanto à soberania e à proteção de informações sensíveis.

“Essas empresas estavam no Programa Nacional de Desestatização do governo Bolsonaro e o candidato Flávio Bolsonaro já disse que quer privatizar estatais. Isso nos preocupa muito. Serpro e Dataprev investiram muito para armazenarem no Brasil os dados públicos do país. Elas guardam a vida dos brasileiros. E isso vai ficar na mão de uma empresa privada, que terá acesso a todos os dados da Receita e dos dados sociais dos brasileiros?”, questionou a ministra.

No balanço financeiro das empresas estatais federais, a ministra destacou o desempenho positivo do setor. De acordo com os dados apresentados, as companhias estatais registraram lucros expressivos nos três primeiros anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, superando em 20% o resultado acumulado no mesmo período da administração passada. Os investimentos combinados do Serpro e da Dataprev alcançaram patamares bilionários, consolidando a capacidade de aporte financeiro dessas organizações em infraestrutura tecnológica e segurança cibernética.

Inteligência artificial e o futuro do funcionalismo público

Outro ponto central de divergência entre os projetos políticos diz respeito à aplicação da inteligência artificial (IA) na máquina pública. Atualmente, a administração federal já emprega ferramentas de IA em mais de 180 projetos voltados para a otimização de processos e melhoria no atendimento à sociedade.

Apesar da expansão tecnológica, Esther Dweck rejeitou categoricamente a premissa de que a tecnologia possa vir a substituir o fator humano no serviço público. Embora reconheça que os algoritmos e modelos avançados tenham plena capacidade de eliminar burocracias repetitivas e acelerar fluxos de trabalho, a ministra pondera que a supervisão humana é inegociável para garantir a legalidade e a justiça das decisões estatais.

“A IA, sem dúvida nenhuma, tem todo o potencial de aumentar enormemente a produtividade do setor público, mas isso não significa que você não vai precisar de pessoas trabalhando”, afirmou. A gestora pontuou que sistemas automatizados podem apresentar falhas, cometer erros de interpretação ou reproduzir vieses sistêmicos. Por essa razão, a validação humana é tratada como um requisito obrigatório em qualquer deliberação que afete direitos dos cidadãos.

A controvérsia envolve diretamente a gestão de benefícios, a organização de filas de atendimento e a triagem de irregularidades. Dweck exemplifica que, diante de uma eventual negativa indevida de um direito a um cidadão por um sistema automatizado, a responsabilidade legal e moral deve recair sobre uma pessoa física, uma vez que a tecnologia carece de personalidade jurídica e discernimento ético próprio.

Do outro lado do espectro político, a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, defende uma reestruturação profunda do Estado amparada por uma reforma administrativa digital. A proposta oposicionista argumenta que o avanço tecnológico justifica o enxugamento da máquina pública, a redução de despesas com pessoal e a extinção de carreiras administrativas e operacionais que possam ser absorvidas por sistemas de inteligência artificial.

Enquanto a equipe econômica da oposição enxerga na tecnologia um caminho para a diminuição drástica do quadro de servidores e corte de gastos públicos, o Ministério da Gestão aposta na capacitação da força de trabalho humana aliada às ferramentas digitais, mantendo as empresas tecnologicamente soberanas sob o controle direto do Estado.

Veja a entrevista da ministra Esther Dweck na Folha pelo Instagram: https://www.instagram.com/reel/DexjfcNlFSm/?psln=MWxrdjJhdHdtNW8xeQ==

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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