Decisão do ministro Alexandre de Moraes atinge bens, contas e empresas do investigado após viagem ao exterior
O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio judicial de até R$ 6 bilhões pertencentes ao advogado Willer Tomaz. A medida drástica foi tomada em decorrência de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) que apontam suspeitas de crimes de lavagem de dinheiro, com conexões apontadas em transações envolvendo empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets.
Além do cerco financeiro aos ativos móveis e imóveis — o que inclui embarcações e aeronaves registradas em nome do investigado —, a determinação judicial abrange a quebra integral dos sigilos fiscal, bancário e cambial. O pacote de sanções imposto pela Suprema Corte também decretou a suspensão imediata de passaportes e a paralisação completa das atividades comerciais, financeiras e empresariais ligadas a todas as companhias associadas ao advogado.


Desdobramentos e investigações anteriores
A ofensiva jurídica e policial ganhou intensidade após os investigadores constatarem que o alvo da investigação realizou uma viagem para Miami, nos Estados Unidos. O deslocamento ocorreu após o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra ele no mês de agosto, no âmbito da chamada Operação Sem Desconto. Esta vertente investigativa apura a existência de descontos irregulares e supostamente ilegais aplicados sobre proventos de aposentadorias e pagamentos a beneficiários vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Para cumprir as ordens de constrição de patrimônio, órgãos de controle e regulação econômica — como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — serão formalmente acionados. Com a quebra de sigilo autorizada, as instituições financeiras ficam obrigadas a repassar às autoridades o detalhamento completo de movimentações financeiras, o que inclui registros da Alcazar Holdings, empresa controlada pelo investigado e sediada na Ilha da Madeira, em território português.
Contexto político e relações
Nos últimos meses, o nome de Willer Tomaz ganhou forte repercussão no cenário público e político devido à sua proximidade com figuras da política nacional. O advogado manteve laços de amizade com o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL). Durante sabatinas e entrevistas concedidas no período eleitoral, o parlamentar confirmou a existência de vínculos estritamente pessoais com o profissional do direito, mas negou de forma veemente a existência de qualquer tipo de sociedade ou parceria comercial entre eles.
Até o momento, a reportagem busca contato com os representantes legais e com a defesa técnica do advogado para obter um posicionamento oficial acerca das acusações e das medidas cautelares impostas pelo STF. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


