A Companhia de Dança Deborah Colker está programada para realizar em 2026 uma tournê pelo Brasil com seu projeto mais recente, intitulado “Remix”. Este espetáculo reunirá cenas icônicas de obras anteriores, como “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4×4” (2002) e “Belle” (2014). As apresentações estão marcadas para os dias 25 e 26 de abril no Teatro Guaíra, em Curitiba. O projeto é uma realização do Ministério da Cultura e Petrobras, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet.
A ideia do “Remix” surgiu em 2025, quando a coreógrafa Deborah Colker recebeu o título de Cidadã Honorária de Mesquita, uma cidade da Baixada Fluminense. Durante a cerimônia, uma exposição fotográfica sobre a carreira de Deborah tomou lugar, e crianças dedicadas à dança realizaram uma apresentação inspirada em espetáculos da Companhia. “Ficamos muito emocionados com a homenagem das crianças. Percebemos que nossas três décadas de trabalho já estão deixando um legado”, recorda João Elias, diretor executivo e cofundador da Companhia.
O grande desafio para Deborah e João Elias foi selecionar cenas entre quinze produções passadas que fossem impactantes para o público e que demonstrassem a força criativa da Companhia. A seleção final incluiu a coreografia “Paixão” do espetáculo “Vulcão” (1994), as cenas “Delírios” e “As Meninas” de “Belle” (2014), a performance “Vasos” de “4×4” (2002) e as coreografias “Gravidade” e “Roda” de “Rota” (1997).
Com essa remixagem, a Companhia se apresenta com sua produção mais ousada até o momento. “São toneladas de equipamentos, um grande número de pessoas envolvidas e uma estrutura de montagem imponente”, conta Elias. O elenco é composto por 16 bailarinos que se apresentam com uma cortina monumental de 12 metros, 90 vasos e uma roda de 5 metros de diâmetro, divididos em dois atos que trarão diversas surpresas. “Os atos transmitem emoções distintas. No primeiro, encontramos sentimentos densos e explosivos; no segundo, há espaço para a alegria e leveza”, explica Elias, que também foi responsável pela dramaturgia do espetáculo.
Para Deborah, remontar uma apresentação vai além de repetir os movimentos coreográficos. “O desafio maior é recordar o contexto que originou os movimentos. O pensamento que deu vida a cada criação”, observa, ressaltando que a jornada mais longa, tanto no tempo quanto na memória, se remete a 32 anos atrás, quando coreografou “Paixão” para “Vulcão”. “Remix” também traz, segundo ela, um olhar para além do próprio repertório da Companhia. “Desde 2024, enfrentei desafios pessoais que me levaram a olhar ainda mais para minha vida e a da Companhia. Ambas representam tudo para mim”, afirmou a coreógrafa.
O espetáculo é um convite ao reencontro com diferentes fases de criação. “Assim como uma obra de arte, que podemos releer ou reassistir, o público vai encontrar novas emoções com ‘Remix’”, sugere Deborah. A equipe criativa também conta com Gringo Cardia na direção de arte, que ficou responsável pelos cenários originais, além de Claudia Kopke, que atualizou os figurinos originais de Yamê Reis e Samuel Cirnansck. A trilha sonora foi trabalhada por Berna Ceppas, e a adaptação do projeto de iluminação original de Jorginho de Carvalho foi realizada por Eduardo Rangel.
“Remix” é o terceiro projeto especial que revisita o repertório da Companhia. No entanto, se diferencia de “Mix” (1995) e “Vero” (2016) por apresentar uma dramaturgia conectando quatro espetáculos emblemáticos, evidenciando a inventividade e audácia que caracterizam as obras da Companhia de Dança Deborah Colker.
Sobre as Cenas e Espetáculos em “Remix”
As cenas e espetáculos apresentados em “Remix”, por ordem de aparição, incluem “Paixão”, do espetáculo “Vulcão” (1994), que trata das complexidades do impulso e descontrole, sem se prender ao tema do amor. A cena “Delírios”, do espetáculo “Belle” (2014), é livremente inspirada na narrativa “Belle de Jour” (1928) e explora o conflito entre razão e instinto da personagem Séverine, revelando seu alter ego libidinoso.
Em seguida, “As Meninas” de “4×4” (2002) proporcionam um momento icônico, dançando ao som de uma sonata de Mozart, que é tocada ao vivo. A sequência contempla a dança “Vasos”, que encerra o primeiro ato do espetáculo. Após o intervalo, o segundo ato apresenta duas cenas do espetáculo “Rota” (1997), onde “Gravidade” propõe uma nova condição física enquanto busca o equilíbrio, e a “Roda” sobre a ocupação do espaço, que também traz uma referência lúdica ao fluxo contínuo do nosso planeta.
A Companhia de Dança Deborah Colker
A Companhia, criada em 1994, celebrou 30 anos de atividades em 2024 e recebeu da ALERJ a Medalha Tiradentes, tornando-se Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Com um vasto repertório composto por dezesseis espetáculos, a Companhia se destaca como uma das mais respeitadas no Brasil e no mundo, recebendo o Prix Benois de la Danse de Moscou em 2018, além de outros prêmios reconhecidos internacionalmente.
Ficha Técnica
Criação e Direção: Deborah Colker
Direção Executiva e Dramaturgia: João Elias
Direção Musical: Berna Ceppas
Direção de Arte: Gringo Cardia
Figurinos: Claudia Kopke (supervisão de figurino); Yamê Reis (criação original); Samuel Cirnansck (criação original)
Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho
Serviço
Espetáculo: Remix – Companhia Deborah Colker
Data e horário: 25 e 26 de abril – Sábado, 20h e Domingo 18h
Local: Teatro Guaíra – Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) – Conselheiro Laurindo, 175 – Centro
Classificação etária: 10 anos.
Duração: 100 minutos
Ingressos: a partir de R$ 25,00 para meia-entrada + taxa administrativa no 2º balcão.
Vendas:
DIA 25/04: Ingresso 25/04
DIA 26/04: Ingresso 26/04
Fonte:: bemparana.com.br


