Os amantes da astronomia em Curitiba e em todo o território brasileiro terão a oportunidade de acompanhar um eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira (27). O evento celeste tem início previsto para o final da noite, a partir das 23h34, no horário de Brasília, com visibilidade garantida em âmbito nacional, desde que as condições meteorológicas colaborem.
Para os moradores da capital paranaense, a preocupação habitual com o céu nublado — que frequentemente impede a observação de fenômenos espaciais — dá lugar ao otimismo. De acordo com as projeções do mapa do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a previsão indica céu claro para o encerramento da quinta-feira na região metropolitana, permitindo ao menos que o início do espetáculo seja contemplado sem grandes interferências.
Como ocorre a formação do eclipse lunar
Especialistas explicam que a mecânica celeste por trás desse tipo de evento está diretamente relacionada à posição relativa entre o Sol, a Terra e a Lua. Josina Oliveira do Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON), detalha que o fenômeno acontece sempre que o satélite natural penetra na sombra projetada pelo nosso planeta, que é gerada pela incidência da luz solar.
“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, esclarece a pesquisadora. Como os corpos celestes não são pontuais, a iluminação solar resulta na projeção de duas regiões distintas de sombra: a penumbra, que é a área mais clara, e a umbra, que representa a zona mais escura.
A especialista acrescenta que todos os eclipses lunares ocorrem obrigatoriamente durante a fase de Lua cheia. No entanto, o alinhamento não é mensal devido à inclinação da órbita lunar. “Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, pontua.
Cronograma e etapas da observação
Para quem deseja acompanhar o fenômeno a olho nu — diferentemente dos eclipses solares, que exigem o uso de filtros e equipamentos de proteção específicos —, a recomendação é ter paciência. Nas primeiras horas em que a Lua cruza a penumbra, nenhuma alteração drástica de brilho é perceptível de forma imediata.
A fase parcial propriamente dita estende-se por pouco mais de três horas. O cronograma detalhado para a noite inclui:
- 23h00: Início da transmissão ao vivo oficial pelo canal do Observatório Nacional no YouTube.
- 23h34: Início oficial do eclipse parcial, momento em que a Lua toca a região da umbra.
- 01h13 (já na madrugada de sexta-feira, 28): Ponto máximo do eclipse, com o maior índice de obscurecimento, atingindo 96,2%.
- 02h52: Fim da fase parcial, com o satélite deixando a umbra terrestre.
- 04h02: Término definitivo do eclipse penumbral e encerramento das transmissões.
Durante a progressão do evento, observadores notarão o surgimento de uma sombra escura que se expande gradualmente, dando a impressão de uma “mordida” na superfície lunar, antes que o astro exiba brevemente uma tonalidade avermelhada ao retornar à trajetória normal.
Engajamento e transmissão remota
O Observatório Nacional reforça que o evento faz parte do ciclo Saros 138, uma série com recorrência aproximada de 18 anos que agrupa eclipses de características semelhantes. Para a comunidade científica, momentos como este representam uma oportunidade ímpar de aproximação com o público geral por meio de projetos educacionais e de divulgação científica.
Aqueles que preferirem acompanhar os desdobramentos de forma remota ou que enfrentarem eventuais condições climáticas desfavoráveis em suas regiões poderão sintonizar a cobertura digital promovida pelo projeto “O Céu em sua Casa: observação remota”, disponibilizada na internet para todo o país.
Fonte:: bemparana.com.br




