Um terremoto atingiu o sul do Japão no fim da tarde desta terça-feira, 28, pelo horário local, provocando estragos significativos, incluindo o desabamento parcial de um centro comercial, a queda de estruturas seculares e a mobilização de equipes de emergência para resgatar dezenas de pessoas presas sob os escombros na região da ilha de Kyushu.
Imagens aéreas divulgadas após o sismo registraram a extensão dos danos no Aeon Mall, localizado em Kashima, na província de Kumamoto. Partes expressivas das paredes do estabelecimento ruíram, deixando vigas e estruturas metálicas totalmente expostas. De acordo Pelo menos dois feridos foram retirados com vida do local logo após o colapso.
As emissoras locais TBS e Fuji relataram a existência de vítimas fatais e feridos na área afetada, embora um balanço oficial definitivo ainda não tenha sido consolidado pelas autoridades. A emissora pública NHK estimou que entre 20 e 30 trabalhadores continuam desaparecidos, enquanto os esforços de busca e salvamento avançam de forma contínua na tentativa de localizar sobreviventes.
O Aeon Mall havia passado por um período de fechamento temporário em 2016, quando a mesma província de Kumamoto foi sacudida por dois eventos sísmicos severos em um intervalo de apenas 48 horas. Naquela ocasião, tremores de magnitude 6,5 e 7,3 deixaram um rastro de destruição com 273 mortos e mais de 2.800 feridos.
Danos ao patrimônio histórico e infraestrutura
Outro registro que chamou a atenção foi o momento exato em que parte da imponente muralha do Castelo de Kumamoto, situado na capital da província, desabou. A fortificação, erguida pelo general Kato Kiyomasa entre 1601 e 1607, figura entre os três castelos mais famosos e importantes do Japão.
Registros em vídeo mostram pedras se desprendendo e rolando ladeira abaixo, encobertas por densas nuvens de poeira. O monumento é historicamente reverenciado pela resistência durante o Cerco ao Castelo de Kumamoto na Rebelião de Satsuma, em 1877, quando uma guarnição de 3,5 mil soldados resistiu ao cerco de 13 mil integrantes do Exército de Satsuma.
A agência de notícias Kyodo News confirmou o falecimento de uma pessoa decorrente do desabamento de uma residência, sem especificar coordenadas geográficas precisas do ocorrido. Paralelamente, a NHK contabilizou ao menos 50 pessoas encaminhadas a hospitais na cidade de Hikawa com diferentes tipos de ferimentos, além de 12 imóveis destruídos e relatos de cidadãos presos em quatro edificações distintas.
A mesma emissora apontou a possibilidade de desaparecidos nas instalações da fábrica de papel Nippon Paper, situada em Yatsushiro, após a queda de uma chaminé industrial. A Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA) informou que o Corpo de Bombeiros local foi mobilizado para resgatar nove pessoas na área fabril.

Resposta governamental e monitoramento científico
O sismo principal registrou-se às 16h27 no horário local, equivalente a 04h27 no horário de Brasília, tendo como epicentro a ilha de Kyushu. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou inicialmente a magnitude em 7,1, valor posteriormente revisado para 6,8.
Nas horas seguintes ao evento sísmico principal, mais de 60 réplicas com magnitudes oscilando entre 1 e 4 foram catalogadas pela Agência Meteorológica do Japão (JMA).
A primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, utilizou sua conta oficial em uma rede social para anunciar a criação imediata de uma força-tarefa voltada à coleta de dados, ao mapeamento de danos estruturais e à coordenação de equipes de salvamento.
Em pronunciamento à imprensa, a premiê detalhou que aproximadamente 3,6 mil militares foram deslocados para a província de Kumamoto com o objetivo de apoiar o trabalho das equipes civis. “Já foram confirmados danos extensos”, declarou Sanae. “Expresso minhas mais sinceras condolências a todos os afetados por este desastre.”
O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, ratificou em entrevista coletiva que as Forças Armadas nipônicas estão plenamente engajadas nas frentes de socorro emergencial na região afetada.
Logo após o tremor inicial, a JMA emitiu um alerta preventivo de tsunami cobrindo os mares de Ariake e Yatsushiro, o qual acabou sendo totalmente suspenso cerca de duas horas mais tarde, após a normalização dos dados oceanográficos.
Fonte:: estadao.com.br




