O presidente da NVIDIA, Jensen Huang, estreou sua presença na rede social X (antigo Twitter) para divulgar um manifesto de grande relevância para o setor tecnológico. Intitulado Open Weights and American AI Leadership, o documento de três páginas conta com a assinatura de 25 empresas e instituições de peso, que se posicionam formalmente contra a imposição de barreiras prematuras ao desenvolvimento e à distribuição de modelos de inteligência artificial de código aberto.
A publicação do documento ocorreu em uma sexta-feira (24), coincidindo com discussões em torno de possíveis medidas do governo dos Estados Unidos para reavaliar a proibição de modelos chineses no país, embora nações ou empresas específicas da China não sejam citadas nominalmente no texto oficial. Entre as ausências notadas na lista de signatários estão gigantes do setor como OpenAI, Anthropic e Google.
For my first post, I’m sharing a letter @NVIDIA signed on why open models matter.AI will transform every industry, power every company, and be built by every country.Open models strengthen safety and cybersecurity, accelerate innovation and diffusion, and enable sovereignty.… pic.twitter.com/t02bi51N4C
— Jensen Huang (@JensenHuang) July 24, 2026
Diversidade de mercado e ecossistema de inovação
O grupo de 25 signatários reúne uma ampla gama de atores do ecossistema tecnológico, abrangendo fabricantes de chips, fornecedores de servidores, operadores de infraestrutura em nuvem, desenvolvedores de software corporativo, empresas de segurança da informação e fundos de capital de risco.
A lista oficial conta com nomes de destaque como NVIDIA, Dell, Microsoft, IBM, Box, ServiceNow, CrowdStrike, Palantir, Telnyx, Replit, Perplexity, além de fundos de investimento renomados como Andreessen Horowitz, Y Combinator e Emergence Capital.
Um dos grandes diferenciais das desenvolvedoras de IA presentes na iniciativa é a adoção de filosofias abertas, permitindo que qualquer usuário faça o download da base lógica — o chamado “cérebro” — de suas ferramentas para execução gratuita em computadores locais e ambientes corporativos descentralizados.
O grupo utiliza diretrizes como a licença OpenMDW-1.1, empregada pela própria NVIDIA no lançamento do Nemotron 3 Ultra. O modelo, que possui 550 bilhões de parâmetros, registrou pontuação de 47,7 no índice de inteligência da Artificial Analysis, ficando atrás, por exemplo, do Kimi K2.6, desenvolvido pela Moonshot, que alcançou 53,9 pontos na mesma avaliação.

Adoção expressiva e exigência de infraestrutura
Em sua primeira postagem na plataforma, Huang destacou que o mercado atual demanda tanto o suporte a tecnologias fechadas de ponta quanto o fomento a ecossistemas abertos e acessíveis. O executivo já havia apresentado dados expressivos durante a CES 2026, apontando que cerca de um a cada quatro tokens gerados globalmente atualmente provém de estruturas abertas.
Essas soluções baseadas em código aberto são comumente executadas em clusters corporativos, nuvens regionais e estruturas locais, distanciando-se do modelo centralizado de APIs fornecidas por grandes hiperescaladores. O documento aponta que esses compradores muitas vezes não dispõem de unidades de processamento dedicadas, como chips TPU ou Trainium, para utilizar como alternativas proprietárias.
Diante desse cenário, a carta aberta direcionada aos formuladores de políticas públicas enfatiza a necessidade de ampliar o acesso a recursos computacionais avançados para pesquisadores e startups. Além disso, o texto defende aportes financeiros públicos voltados à criação de bases de dados compartilhadas e de metodologias padronizadas de avaliação de desempenho.
Debate sobre destilação e propriedade intelectual
Outro ponto sensível abordado pelo manifesto diz respeito à técnica de destilação — processo no qual um modelo de inteligência artificial é treinado utilizando as respostas e os resultados gerados por outro sistema. Os signatários solicitam que os reguladores evitem tratar essa prática de forma generalizada como apropriação indevida de propriedade intelectual.
Segundo a argumentação apresentada no documento, eventuais desvios ou extrações ilícitas de tecnologias proprietárias devem ser combatidos por meio de arcabouços legais específicos, sem que isso resulte em proibições abrangentes que comprometam o avanço técnico da área. Esse trecho específico representa o único ponto do manifesto que não se restringe estritamente ao debate sobre modelos abertos.

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Posicionamento governamental e divergências de mercado
O manifesto surge em um momento de debates regulatórios intensos nos Estados Unidos. Recentemente, o Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, declarou em entrevista à emissora Fox Business que o governo pretendia examinar modelos chineses de código aberto para identificar possíveis violações de propriedade intelectual, não descartando a aplicação de sanções às companhias envolvidas. Na ocasião, o representante governamental afirmou que autoridades teriam identificado indícios de marcas d’água pertencentes a grandes modelos americanos em plataformas da China.
Em contrapartida, líderes da indústria têm adotado uma postura de maior abertura para a cooperação técnica global. Dias após as declarações do Tesouro, Jensen Huang pontuou em entrevistas que as empresas norte-americanas deveriam ter autonomia para utilizar tecnologias de origem chinesa, qualificando como infundadas as preocupações generalizadas sobre riscos associados a eventuais portas dos fundos (backdoors).
Fonte:: adrenaline.com.br




