Museu no Rio de Janeiro inaugura mostra que destaca a resistência da Pequena África

Redação Rádio Plug
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Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, inaugurou a exposição Território Inventivo Pequena África. A mostra tem como foco central a região histórica do Cais do Valongo, que foi redescoberto há cerca de 15 anos durante intervenções urbanísticas na área portuária da capital fluminense.

A iniciativa cultural convida moradores e turistas a mergulharem na trajetória de um espaço profundamente marcado pela chegada de africanos escravizados, destacando simultaneamente a força da resistência, a rica produção cultural e a construção fundamental da identidade brasileira a partir de suas raízes afro-descendentes.

A região conhecida como Pequena África abriga marcos cruciais e simbólicos para a história negra no país, a exemplo da Pedra do Sal, do Cemitério dos Pretos Novos e do próprio Cais do Valongo. Dados históricos apontam que mais de 1 milhão de africanos escravizados passaram por esse cais entre os séculos 18 e 19. Após sua redescoberta em 2011, o local recebeu em 2017 o título de Patrimônio Mundial concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Exposição Território Inventivo Pequena África no MUHCAB, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Ao percorrer os espaços do Muhcab, o visitante vivencia uma travessia simbólica que conecta o continente africano ao Brasil. Logo no início do percurso, o público é recebido por um ambiente sonoro imersivo que simula a atmosfera do Oceano Atlântico, preparando o terreno para a imersão na linha do tempo histórica da região.

De acordo com Nayla Rodrigues, coordenadora do Programa Educativo do Muhcab, o objetivo principal da exposição é expandir a narrativa tradicional sobre a população negra no Brasil, tirando o foco exclusivo do sofrimento e direcionando-o para a agência histórica dessas comunidades.

“Contar essa história através do Muhcab é contar não só a dor, mas contar a partir do protagonismo, das agências, das vozes que transformam essa história, que reconhecem esse passado dolorido, mas entendem as ressignificações que esses povos vêm fazendo ao longo do tempo”, ressalta a coordenadora.

Para tornar a experiência acessível e envolvente, a mostra aposta em recursos tecnológicos modernos. O acervo conta com maquetes detalhadas, mapas interativos, ferramentas de realidade aumentada e ambientes cenográficos que facilitam a compreensão do passado e do presente da Pequena África.

Exposição Território Inventivo Pequena África no MUHCAB, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O diretor do museu, Fernando Zulu, pontua que a tecnologia funciona como uma ponte entre o visitante e a memória do território. Segundo ele, os recursos visuais permitem que o público reconheça marcos locais e grandes referências culturais e históricas do país.

“A pessoa que viveu aqui vai encontrar maquetes que falam do próprio território da Pequena África, do Cais do Valongo, do Museu do Amanhã, do MAR [Museu de Arte do Rio]. É uma exposição muito encantadora. Também vão ver nossos heróis nacionais, como Conceição Evaristo e João Cândido”, pontua Zulu.

Além das ferramentas digitais, a exposição integra espelhos interativos e exibições em realidade aumentada. Dessa forma, os visitantes conseguem interagir com representações de figuras ilustres como Tia Ciata, Machado de Assis, Pixinguinha, Conceição Evaristo e João Cândido, mapeando as rotas da diáspora africana através de uma experiência verdadeiramente multimídia.

A iniciativa tem gerado forte impacto emocional em quem visita o espaço. A carioca Daisi Sombra Aixa, residente em Barcelona há mais de vinte anos, aproveitou uma viagem ao Brasil para levar uma amiga espanhola ao museu. Para ela, a exposição cumpre um papel essencial na valorização da ancestralidade.

“É para a gente não esquecer a história, entender que ela teve muita dor, mas também muita resistência, muita força, muita luta e muita alegria. A gente precisa equilibrar esses polos e trazer também a autoestima e a história positiva de toda a comunidade afro-brasileira”, reflete.

O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) está situado na zona portuária carioca e funciona de terça a domingo, das 10h às 17h. O acesso do público é totalmente gratuito.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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