O perigo do salto alto na política e os riscos do clima de já ganhou

Redação Rádio Plug
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O excesso de confiança durante uma campanha eleitoral, especialmente quando um candidato larga na liderança no primeiro turno, pode se transformar em uma armadilha perigosa. A euforia precoce e a sensação de vitória antes mesmo da contagem final dos votos costumam gerar frustrações históricas na política brasileira.

Um episódio clássico ocorreu na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 1985. Naquela ocasião, o candidato Fernando Henrique Cardoso (FHC) chegou a posar sentado na cadeira de prefeito antes do pleito, contando com o triunfo antecipado. No entanto, acabou derrotado nas urnas por Jânio Quadros. O comportamento ilustra o que analistas costumam chamar de salto alto ou a famosa “síndrome de primeiro turno”.

Esse risco tem rondado articulações recentes no cenário nacional, onde o clima de vitória antecipada passa a ser ventilado por apoiadores e estratégias de campanha após resultados parciais favoráveis. A aposta de que a polarização estaria superada e que a escolha presidencial já estaria definida ignora a imprevisibilidade inerente às disputas de segundo turno.

Apesar de eventuais vantagens numéricas na largada da etapa final, o jogo permanece aberto. Contar com o resultado positivo antes do apito final desconsidera a resiliência de adversários históricos e a capacidade de mobilização de estruturas políticas consolidadas ao longo de décadas.

A trajetória política brasileira pós-redemocratização demonstra que subestimar forças tradicionais — como o Partido dos Trabalhadores (PT) e lideranças como Luiz Inácio Lula da Silva — costuma ser um erro de cálculo para qualquer grupo político, seja de centro, direita ou extrema-direita.

Desde a promulgação da Constituição de 1988 e o início das eleições presidenciais diretas em 1989, o PT esteve presente em todas as disputas pelo Palácio do Planalto, acumulando vitórias expressivas e mantendo capilaridade nacional ímpar na história republicana recente.

Tentativas de enfraquecer ou banir essa corrente política marcaram diversos momentos da trajetória institucional do país, desde turbulências institucionais e trocas de comando no Executivo federal até reviravoltas judiciais e embates eleitorais acirrados. No entanto, a capacidade de recuperação dessas forças em momentos de crise comprova que o cenário político nacional raramente segue roteiros previsíveis.

Profissionais da política e estrategistas experientes sabem que erros de avaliação e o salto alto não são perdoados por eleitorados polarizados. Mesmo com o apoio de setores conservadores e máquinas partidárias robustas, candidatos que antecipam comemorações correm o sério risco de surpresas indesejadas nas urnas.

A máxima popular de que cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém permanece atual. Em disputas acirradas, onde os índices de rejeição costumam rivalizar com os de aprovação popular, manter os pés no chão e evitar a certeza absoluta da vitória configura a estratégia mais prudente para qualquer concorrente que pretenda alcançar o cargo máximo da República.

Fonte:: bemparana.com.br

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