Operação policial desarticula esquema de fraude financeira que causou prejuízo milionário a idosa

Redação Rádio Plug
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Foto: Foto: Freepik

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação de grande envergadura para desarticular uma rede criminosa especializada em fraudes financeiras digitais. As investigações apontam que uma idosa de 70 anos, residente no município de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, foi vítima de um prejuízo estimado em R$ 37 milhões após ser induzida a participar de um suposto esquema de investimentos em ativos digitais.

De acordo com os relatos repassados às autoridades policiais, a quantia subtraída era fruto da acumulação de uma herança familiar e de aplicações financeiras pessoais de longa data. O montante foi transferido pelos criminosos por meio de diversos depósitos fracionados, dificultando inicialmente o rastreamento das transações. Diante da gravidade da situação e da expressividade dos valores envolvidos, o caso motivou uma mobilização inter estadual das forças de segurança.

Desdobramentos e cumprimentos de mandados

No âmbito da investigação, a Justiça expediu dez mandados de prisão preventiva, além de 16 ordens de busca e apreensão cumpridas em diferentes estados, com foco no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. A ofensiva policial culminou na captura de um dos principais alvos pela Polícia Federal nas dependências do aeroporto Santos Dumont, localizado no Rio de Janeiro. O indivíduo, que reside em Balneário Camboriú e é proprietário de uma das empresas investigadas no contexto da chamada Operação Criptoabate, pretendia embarcar com destino ao município catarinense de Navegantes.

As diligências também resultaram na prisão de dois operadores especializados em transações com criptomoedas — sendo um cidadão brasileiro e um estrangeiro de nacionalidade chinesa. Contudo, as autoridades continuam as buscas por outros sete suspeitos que permanecem foragidos. Entre eles, destacam-se um nacional da Coreia do Sul e um brasileiro apontados como proprietários de instituições financeiras utilizadas exclusivamente para converter a moeda tradicional em criptoativos, facilitando a lavagem do capital ilícito.

Conforme apontado pelos investigadores responsáveis pelo caso, o volume total de transações financeiras movimentadas tanto por pessoas físicas quanto por jurídicas associadas a essa organização criminosa ultrapassa a marca de R$ 30 bilhões, demonstrando a complexidade e o alcance da estrutura montada pelo grupo.

O método do abate de porcos nos investimentos

A tipologia criminosa identificada pelas autoridades é popularmente conhecida no ambiente cibernético como golpe do “abate de porcos”. Essa modalidade caracteriza-se fundamentalmente pela paciência dos golpistas em estabelecer um longo período de aproximação com o alvo. O objetivo principal é conquistar gradativamente a confiança da vítima, utilizando artifícios sofisticados para conferir uma falsa aparência de legitimidade às plataformas de investimento.

Os criminosos costumavam selecionar pessoas com maior poder aquisitivo, inserindo-as em grupos fechados de aplicativos de mensagens instantâneas que simulavam comunidades exclusivas de investidores de alta renda. Nesses espaços virtuais, eram divulgadas análises econômicas falsificadas e dados manipulados sobre supostos rendimentos estratosféricos. Quando as vítimas solicitavam o resgate do capital aplicado, eram surpreendidas com novas exigências de pagamento referentes a taxas administrativas e impostos fictícios para liberar os valores.

No caso específico da idosa, o envolvimento com a rede criminosa durou aproximadamente seis meses. Atraída pela promessa de retornos financeiros muito acima da média de mercado, ela optou por retirar seu patrimônio de uma corretora tradicional e devidamente regulamentada. Segundo depoimentos colhidos no inquérito, o consultor financeiro oficial da vítima frequentemente a desaconselhava a realizar aportes de alto risco. Insatisfeita com as recomendações de cautela que tentavam frear suas movimentações, ela decidiu romper com a operadora licenciada e migrar os recursos para a plataforma fraudulenta.

Rastreamento de recursos e ramificações

As apurações policiais revelaram que o dinheiro desviado da conta da vítima foi fracionado e distribuído rapidamente em pelo menos 25 contas bancárias distintas, todas vinculadas a uma gerente de instituição financeira brasileira. A funcionária, cuja identidade não foi revelada para preservar o sigilo das diligências em curso, também é considerada foragida e figura entre os alvos da investigação.

As autoridades alertam que o perfil desse tipo de estelionato difere de fraudes em massa de menor valor. Embora atinja um número mais restrito de pessoas, o impacto financeiro individual é devastador. Até o momento, as equipes policiais já conseguiram mapear cerca de 140 potenciais vítimas que compartilharam de experiências semelhantes com o mesmo grupo criminoso, evidenciando um padrão recorrente de atuação que segue sob rigoroso escrutínio da justiça.

Fonte:: bemparana.com.br

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