O estado do Paraná reafirma sua posição de destaque absoluto no cenário nacional da agricultura sustentável ao contabilizar 4.522 produtores rurais com certificação oficial registrada até o terceiro trimestre deste ano. Os dados constam no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Com esse volume, o território paranaense supera amplamente os demais estados brasileiros, ficando 47,5% à frente do Rio Grande do Sul, que ocupa a segunda colocação com 3.065 registros, e registrando mais do que o dobro do volume apresentado pela Bahia, terceira colocada com 1.970 produtores formalizados.
Esse avanço expressivo na consolidação de lavouras limpas decorre de investimentos contínuos em políticas públicas estaduais. O principal vetor desse crescimento é o programa Paraná Mais Orgânico (PMO), iniciativa governamental voltada para a prestação de assessoria técnica totalmente gratuita a agricultores familiares. O foco do suporte é orientar a transição de métodos tradicionais para cultivos livres de agrotóxicos, sementes transgênicas e outros insumos sintéticos, em total conformidade com a legislação federal voltada para a produção orgânica.
Integração entre universidades e órgãos estaduais
A execução do programa é estruturada por meio de uma ampla rede de cooperação interinstitucional. A coordenação geral fica a cargo da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que atua de forma conjunta com as sete universidades estaduais paranaenses e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), órgão ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Essas entidades funcionam como os núcleos de certificação do projeto, conectando o rigor científico e o conhecimento acadêmico à realidade prática das propriedades rurais durante o período de conversão do solo.
Posteriormente, após passarem por todas as etapas de orientação e adequação conduzidas por esses órgãos de assistência, os agricultores são direcionados ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O instituto atua como a entidade certificadora oficial, realizando auditorias rigorosas nas propriedades para a emissão do selo que comprova a conformidade orgânica da produção.
A força operacional da iniciativa pode ser medida pelo volume de atendimento. Contando com a dedicação de mais de 100 profissionais técnicos e bolsistas, o programa realizou, nos primeiros nove meses do ano, cerca de 6 mil atendimentos individuais a agricultores, além de 1.719 visitas presenciais in loco e 8.007 ações de suporte remoto. O cronograma anual também contemplou a realização de 33 eventos técnicos regionais e 160 ações diretas voltadas ao fomento da comercialização.
O coordenador estadual do PMO e professor de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ednaldo Michellon, aponta que a participação ativa da iniciativa em encontros focados em sustentabilidade, ciência e agroecologia exerce um papel fundamental na atração de novos agricultores para o setor. “A sinergia gerada ao redor do Paraná Mais Orgânico gera resultados grandes, que reflete em números, recordes e incentivo de autoridades e governantes”, pontua o docente.
Novas metas e escoamento da produção
Os índices alcançados marcam a consolidação bem-sucedida da fase atual do programa, estruturada para o ciclo que compreende de janeiro de 2026 até dezembro de 2028. Para este triênio, a meta estipulada pelo planejamento estratégico é a emissão de 1.530 novos certificados de conformidade agroecológica, além de prestar atendimento direto a 2.280 produtores. A expectativa do Tecpar é encerrar o ano de 2026 acumulando 702 inspeções e mais de 600 processos de certificação integralmente concluídos.
Para garantir que o alimento chegue à mesa do consumidor final com facilidade, o governo estadual, em parceria com cooperativas, associações e instituições de ensino, fomenta canais diretos de comercialização. Atualmente, o estado conta com 69 feiras especializadas em produtos orgânicos em funcionamento regular, distribuídas por 25 municípios.
Além disso, o excedente e a produção direcionada encontram mercado garantido na própria rede pública de ensino. Por intermédio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), ligado à Secretaria de Estado da Educação (Seed), itens frescos como banana, laranja, alface e arroz orgânicos são inseridos na merenda escolar. A medida beneficia diariamente cerca de 1,2 milhão de estudantes matriculados em escolas públicas estaduais espalhadas por mais de 300 municípios paranaenses, unindo saúde alimentar, apoio ao campo e desenvolvimento regional.
Fonte:: seti.pr.gov.br


