Projeto grandioso Concerto dos 41 anos da OSP mobiliza 230 artistas e crianças no Guairão

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

A grandiosidade do concerto que celebra os 41 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) se revela antes mesmo de os espectadores ocuparem seus lugares no Guairão. Nos bastidores do teatro, corredores, salas de ensaio e camarins se tornaram, nas últimas semanas, um grande ponto de encontro de músicos, maestros, coralistas, crianças, técnicos e equipes de apoio, em uma operação que mobiliza mais de 230 pessoas para apresentar um espetáculo harmonioso no palco.

Agendado para os dias 28 e 31 de maio (quinta-feira e domingo), o concerto intitulado “Grande Festa da Música Brasileira” contará com a participação da OSP, composta por quase 90 músicos, tanto fixos quanto contratados. Além disso, um coro sinfônico adulto de 60 vozes se juntará a cerca de 80 crianças e adolescentes dos coros infantis Papo Coral e Coral Curumim. No momento, restam poucos ingressos disponíveis para a apresentação de quinta-feira, enquanto o concerto de domingo já está esgotado.

Este espetáculo, sob a batuta do maestro titular da orquestra, Roberto Tibiriçá, é um dos projetos mais ambiciosos da temporada e mantém a tradição dos concertos de aniversário da OSP. Em 2025, por exemplo, a celebração pelos 40 anos reuniu mais de 200 artistas em cena na monumental “Sinfonia da Ressurreição”, de Gustav Mahler. Neste ano, o número de participantes cresce ainda mais com a inclusão dos coros infantis e juvenis.

Preparativos Minuciosos – Antes do primeiro acorde de todos juntos, foram meses dedicados a ensaios individuais: cada coro trabalhou separadamente, as vozes foram desenvolvidas em grupos específicos e os músicos da orquestra se prepararam com intensidade para os complexos repertórios. Somente na última semana, todas as partes começaram a se reunir para unir a música e o canto em um ensaio coletivo.

O primeiro ensaio conjunto, realizado na quarta-feira (20), revelou a complexidade da engrenagem necessária para a realização do espetáculo. Enquanto alguns coralistas ajustavam suas vozes em uma das salas do teatro, técnicos se ocupavam em organizar partituras, mover cadeiras e ajustar a estrutura especial montada no palco para acomodar centenas de artistas.

As crianças, às vezes um pouco inquietas com a movimentação, foram cuidadosamente organizadas por altura e posicionamento, facilitando tanto a organização visual quanto sonora. Nos corredores, auxiliares acompanhavam os deslocamentos, ajudavam as crianças a irem ao banheiro e orientavam os pequenos coralistas nos bastidores.

Ao subir ao palco, toda essa movimentação se concentrou em um único comando: aquele do maestro Tibiriçá, que conduziu os ensaios com o suporte dos regentes auxiliares dos coros, focando em obras de grande complexidade rítmica e vocal, como o prelúdio da ópera “O Garatuja”, de Alberto Nepomuceno; a cantata profana “Mandu-Çarará”, de Heitor Villa-Lobos; e o “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone.

“É uma energia enorme e, ao mesmo tempo, um desafio”, resume Alexandre Mousquer, regente do coro sinfônico. “Fazemos todo o possível para estar preparados musicalmente e também garantir a organização. Essas obras são grandiosas e enfrentamos desafios muito característicos da música brasileira, tanto pela rítmica quanto pelas influências indígenas e africanas presentes nas partituras.”

Mousquer explica que o trabalho começou semanas antes, ainda antes dos encontros com a orquestra, com ensaios divididos em grupos específicos por vozes masculinas e femininas até chegar à formação completa do coro. Em “Maracatu de Chico Rei”, o desafio se torna ainda maior, já que o coro é dividido em dois grupos independentes.

Encontros que Transformam – Mesmo diante da intensidade dos ensaios, encontram espaço para a emoção dos reencontros. Muitos dos integrantes do coro adulto começaram sua trajetória nos corais infantis que agora os inspiram e com quem trabalham. “É visível como isso muda a vida das crianças”, afirma Cristiane Alexandre, regente do Papo Coral. “Ter a oportunidade de cantar com uma orquestra, em um palco como o Guairão, transforma a trajetória dessas crianças”, acrescenta.

Ela ressalta que o repertório de Villa-Lobos proporciona uma rica descoberta artística para os jovens. “É uma viagem musical que ensina sobre harmonia, ritmo brasileiro e música em geral. Trabalhar com Villa-Lobos é desafiador, mas extremamente inspirador.”

Durante os ensaios, o contraste entre disciplina e espontaneidade reflete o espírito do projeto: crianças inquietas nos bastidores se acalmam rapidamente com o primeiro comando dos regentes. Entre risadas e brincadeiras, elas prestam atenção a cada entrada musical e assistem fascinadas os músicos da orquestra afinando seus instrumentos.

Joyce Miriam Todeschini, responsável pelo Coral Curumim, destaca que o processo de preparação é um aprendizado que vai muito além da música. “Aqui, eles desenvolvem capacidades que são valiosas para toda a vida”, assegura. “São lições de repetição, concentração, paciência e persistência. Os jovens aprendem que é preciso construir aos poucos até dominar a obra.”

A regente também compartilha que “Mandu-Çarará” exige das crianças não apenas precisão musical, mas também uma compreensão cultural. A obra contém trechos em Nheengatu, uma língua de matriz indígena, e se inspira em lendas da Amazônia. “No início, eles não compreendiam totalmente o resultado. Mas, aos poucos, vão entendendo o significado do texto, a história e a música. Quando reconhecem a totalidade, ficam completamente maravilhados”, finaliza.

Homenagem e Continuidade – O concerto deste ano possui um componente emocional especial para o Coral Curumim. Há poucos dias, em 11 de maio, faleceu Carlos Todeschini, cofundador do grupo ao lado de Joyce. Desde então, ela assumiu a coordenação dos trabalhos e seguiu conduzindo os ensaios com as crianças.

Em vez de transformar o evento em um momento de tristeza, Joyce prefere falar sobre continuidade e legado. “Me sinto alegre”, conta. “Carlos sempre foi uma pessoa leve e uma grande parceira. Saber do carinho que as pessoas têm por ele me consola. Sinto uma profunda gratidão por tudo que construímos juntos, que continua vivo neste concerto.”

Serviço:

Concerto do 41º aniversário da Orquestra Sinfônica do Paraná, regido por Roberto Tibiriçá, maestro titular e diretor musical da OSP.

Apresentações: 28 e 31 de maio de 2026

Quinta, às 20h30 (lugares marcados), e domingo, às 10h30 (lugares livres – ESGOTADO)

Local: Teatro Guaíra – Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão)

Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro, Curitiba/PR

Duração do espetáculo: Aproximadamente 1h30

Classificação etária: 6 anos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda em DiskIngressos e na bilheteira do Teatro Guaíra.

Bilheteira do Teatro Guaíra: Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro – Curitiba/PR. Horário: de segunda a sexta, das 10h às 14h e das 15h às 19h. Em dias de evento, abre com 2 horas de antecedência ao início da apresentação.

Participação do coro sinfônico, regido por Alexandre Mousquer, e dos coros infantis Papo Coral, sob regência de Cristiane Alexandre, e Coral Curumim, sob regência de Joyce Miriam Todeschini.

Programa:

  • Nepomuceno: “O Garatuja”
  • Villa-Lobos: “Mandú–Çárárá”
  • Mignone: “Maracatu de Chico Rei”

Fonte:: parana.pr.gov.br

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