O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou publicamente nesta terça-feira dados e informações referentes a uma investigação conduzida pela Polícia Federal. O inquérito busca esclarecer a natureza das interações entre o magistrado Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Os documentos reunidos pelos investigadores detalham tratativas comerciais e negociações conduzidas por Vorcaro com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. De acordo com o material apresentado pela corporação, os acordos resultaram em avenças financeiras expressivas, sendo que algumas etapas do processo teriam contado com a intervenção direta do ministro.
As apurações apontam que o primeiro episódio de relevância ocorreu no mês de janeiro de 2024. Nessa ocasião, Viviane Barci de Moraes iniciou conversas com o banqueiro para formalizar a prestação de serviços na área jurídica. Em 11 de janeiro daquele ano, a advogada enviou a primeira minuta do contrato ao empresário.
Ao realizar uma perícia técnica nos metadados do arquivo digital, a equipe de investigação constatou que a última modificação no documento havia sido realizada por um perfil de usuário nomeado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Para a autoridade policial, tal constatação serve como um forte indicativo de que o magistrado detinha plena ciência das tratativas contratuais, havendo a possibilidade de atuação direta na redação ou nos termos negociados.
Análise de arquivos e valores envolvidos
Poucos dias após o primeiro envio, a esposa do ministro encaminhou uma versão atualizada do documento para o responsável pelo Banco Master. Os peritos da Polícia Federal examinaram este novo arquivo, enviado em 17 de janeiro de 2024, e novamente encontraram registros associados ao mesmo usuário nos metadados.
Segundo o laudo técnico, o documento havia sofrido alterações em 15 de janeiro de 2024, às 23h04, novamente sob a chancela digital do usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O trâmite culminou na assinatura oficial do contrato em 23 de janeiro de 2024, com termos financeiros robustos.
De acordo com os relatórios que integram o inquérito, o acordo firmado previa o pagamento total de R$ 108 milhões, divididos de forma escalonada em 36 parcelas mensais fixas de R$ 3 milhões cada.
Registros telefônicos e conexões investigadas
Além da análise documental e digital dos contratos, o inquérito policial aprofundou-se em registros de comunicação. Os investigadores identificaram que o terminal telefônico associado ao ministro Alexandre de Moraes constava na lista de contatos do empresário Daniel Vorcaro sob quatro nomenclaturas distintas, catalogadas como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”.
Conforme consta na investigação, os referidos contatos foram repassados ao banqueiro por meio de mensagens de WhatsApp enviadas pelo ex-ministro das Comunicações do governo de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, na data de 26 de dezembro de 2023.
Todo o material faz parte de um procedimento investigativo mais amplo, cujo objetivo é examinar os vínculos mantidos pelo empresário e pela instituição financeira com diversos agentes públicos e autoridades da República. Contudo, cabe ressaltar que a mera existência de registros documentais, minutas ou contatos telefônicos não configura, por si só, prova definitiva de prática ilícitiva ou irregularidade, restando às instâncias competentes a análise aprofundada dos elementos apurados pela Polícia Federal.
Fonte:: diariopr.com.br


