SaferNet aciona anpd contra o telegram por links ativos de abuso infantil

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A organização não governamental SaferNet, reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos no ambiente digital, protocolou formalmente junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento detalhado contendo 1.093 contas e endereços hospedados no aplicativo de mensagens Telegram que apresentam fortes indícios de estarem vinculados a material de abuso e exploração sexual infantil.

A iniciativa faz parte de um monitoramento contínuo conduzido pela entidade entre os anos de 2017 e 2026. Os dados que embasaram o dossiê foram coletados por meio de denúncias anônimas e seguras recebidas através da plataforma oficial mantida pela organização no endereço eletrônico www.denuncie.org.br.

No total, a SaferNet encaminhou à autoridade de proteção de dados um montante expressivo de 14.969 links associados ao Telegram. Esse conjunto abrange não apenas conteúdos ligados à exploração de menores, mas também diversas outras irregularidades graves, tais como comercialização de entorpecentes, venda de armas de fogo, esquemas de fraudes financeiras e incentivo à automutilação.

Apesar da amplitude do material enviado, a análise técnica realizada pela ONG revelou que a grande maioria dos registros já havia sofrido alterações estruturais. Do total de quase 15 mil links mapeados ao longo da série histórica, 8.160 já se encontravam inativos ou haviam sido removidos pelas próprias instâncias da plataforma, enquanto 4.851 correspondiam a links de convite cujos acessos já haviam sido revogados.

Contudo, o ponto central da denúncia recai sobre os endereços que continuam operantes. Segundo o monitoramento, mais de mil links contendo material explícito de abuso sexual contra crianças e adolescentes permanecem acessíveis aos usuários da rede de mensagens, desafiando as políticas de moderação da empresa.

Perfil dos conteúdos mantidos na plataforma

Historicamente, a utilização de aplicativos de mensagens criptografadas para a circulação de conteúdos ilícitos tem sido motivo de alerta para especialistas em segurança digital e autoridades governamentais. Em relatórios anteriores divulgados ao longo de 2024, a SaferNet já havia apontado que mais de 1 milhão de usuários da plataforma estariam inseridos em redes e grupos dedicados à comercialização e troca desse tipo de material sensível.

O novo detalhamento apresentado à ANPD categoriza os 1.093 endereços ativos identificados no levantamento recente. Desse total, 518 correspondem a perfis individuais de usuários ou contas automatizadas (robôs), 256 representam convites ativos de acesso, 192 funcionam como canais de transmissão e 127 operam na modalidade de grupos fechados ou abertos.

Os registros estatísticos compilados pela organização indicam que o volume de notificações relativas a essas infrações registrou uma escalada significativa a partir do ano de 2022. O ápice dessa série histórica foi atingido em julho de 2026, evidenciando que a problemática identificada em anos anteriores não apenas persiste, mas apresenta sinais de agravamento contínuo na infraestrutura da plataforma.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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