O estado do Paraná registrou um volume impressionante de atividade elétrica atmosférica ao longo de uma única jornada, contabilizando dezenas de milhares de ocorrências que atingiram quase a totalidade dos municípios paranaenses. O fenômeno chamou a atenção de especialistas e moradores pela intensidade e abrangência territorial das tempestades que se formaram sobre a região.
De acordo com os registros consolidados entre a zero hora e as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos de uma segunda-feira, dia 31 de agosto, foram computados exatos 37.501 raios do tipo nuvem-solo no território paranaense. Esse quantitativo expressivo espalhou-se por 397 das 399 cidades que compõem o estado, demonstrando a capilaridade e a força do sistema meteorológico atuante naquele período. O fenômeno em questão caracteriza-se por estabelecer uma conexão direta entre o interior de nuvens do tipo cumulonimbus e a superfície terrestre.
O monitoramento detalhado desse volume de descargas foi realizado por meio das ferramentas de observação do tempo do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Os dados técnicos revelaram quais localidades sofreram o maior impacto direto da instabilidade atmosférica, liderando o ranking estadual em termos de incidência absoluta.
Os municípios mais afetados pelas tempestades
No topo da lista das regiões que mais registraram o fenômeno está o município de Guarapuava, situado na região Central do Sul paranaense. Apenas nos limites territoriais dessa cidade, os radares e sensores capturaram 1.182 ocorrências de raios nuvem-solo durante o período analisado.
Outras cidades da região também se destacaram com números elevados no balanço oficial. O município de Pinhão apareceu na sequência com 680 registros, logo seguido por Candói, que acumulou 678 ocorrências da mesma natureza.
O levantamento completo abrangeu diversas outras regiões do estado, evidenciando a distribuição geográfica das descargas elétricas:
- Guarapuava 1182
- Pinhão 680
- Candói 678
- Ortigueira 609
- Arapoti 580
- Três Barras do Paraná 551
- Prudentópolis 532
- Lapa 517
- Palmas 509
- Tibagi 476
- Pitanga 453
- Quedas do Iguaçu 406
- Sapopema 402
- Inácio Martins 395
- Santa Maria do Oeste 365
- Rio Bonito do Iguaçu 332
- Guaraqueçaba 323
- São Jerônimo da Serra 317
- Castro 313
- Londrina 313
A incidência também foi mapeada nos principais centros urbanos paranaenses, apresentando variações conforme a movimentação das frentes de instabilidade:
- Curitiba – 56
- Londrina – 313
- Maringá – 63
- Ponta Grossa – 190
- Cascavel – 261
- Foz do Iguaçu – 117
Compreendendo a física das descargas atmosféricas
Do ponto de vista científico, os raios que atingem o solo configuram-se como fluxos de eletricidade originados nas formações nubosas e direcionados à superfície. Dada a sua alta capacidade de destruição e o potencial de risco para a população, infraestruturas e redes de energia, esta categoria de descarga é a mais minuciosamente estudada pela meteorologia e pela física atmosférica.
Esses eventos podem ser classificados em diferentes polaridades, dependendo do sinal da carga elétrica efetiva que é transferida das nuvens para o solo, dividindo-se entre cargas positivas e negativas. Em média, a duração visível de um raio na atmosfera gira em torno de um quarto de segundo, embora a literatura científica registre variações que vão desde um décimo de segundo até dois segundos completos.
Ao longo desse curto intervalo temporal, a descarga percorre trajetórias atmosféricas cujos comprimentos variam de poucos quilômetros até dezenas deles. O canal condutor por onde a corrente elétrica flui apresenta dimensões reduzidas, com diâmetro de apenas alguns centímetros, estrutura esta comumente chamada de relâmpago. Nesse canal estreito, as condições extremas fazem com que a temperatura atinja patamares máximos na casa de dezenas de milhares de graus Celsius, enquanto a pressão gerada alcança dezenas de atmosferas.
Apesar da percepção visual humana registrar o raio como um clarão contínuo, a dinâmica física revela que o fenômeno é composto por múltiplas descargas sequenciais, conhecidas tecnicamente como descargas de retorno. Elas ocorrem em intervalos de tempo extremamente curtos, um conceito definido como multiplicidade do raio, período durante o qual o fluxo de corrente sofre oscilações rápidas e lentas.
Fonte:: bemparana.com.br


