LIMA – A aguardada apuração das eleições peruanas está gerando expectativa, especialmente após a confirmação da conservadora Keiko Fujimori no segundo turno. Com 75% dos votos apurados, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori obteve 17% das preferências. Diante disso, uma intensa disputa se estabelece entre quatro candidatos, que estão separados por uma diferença de cerca de 350 mil votos entre o segundo e o quinto colocado.
O candidato ultraconservador Rafael Lopez Aliaga, representante do partido Renovação Popular, se destaca na corrida como líder para a segunda vaga, alcançando 12,7% dos votos, o que equivale a aproximadamente 1,7 milhão de votos. Em contrapartida, o quinto colocado, Ricardo Belmont, do Partido Cívico Obras, registra 1,35 milhão de votos, totalizando cerca de 10% das preferências, conforme os dados fornecidos pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe).
Além de Lopez Aliaga, Jorge Nieto, do Partido do Bom Governo, figura na terceira posição, com 1,59 milhão de votos (11,75%), enquanto Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, segue próximo, com 1,4 milhão (10,4%). Essa disputa acirrada expõe a fragmentação do eleitorado peruano, refletindo um cenário eleitoral complexo.
Embora tenha conseguido uma posição de liderança, Keiko não obteve respaldo suficiente para garantir sua vitória no primeiro turno, onde os dois candidatos mais votados se enfrentarão no dia 7 de junho. Caso vença, ela se tornará o nono presidente do Peru em apenas uma década. Vale ressaltar que esta é a quarta tentativa de Keiko em alcançar a presidência como representante do partido Força Popular.
A eleição deste ano foi marcada por uma ampla dispersão dos votos, resultante da presença de 35 candidatos à presidência. Problemas logísticos significativos também foram registrados, impedindo a votação em várias seções eleitorais da região metropolitana de Lima, onde as cédulas não chegaram a tempo. Essa situação provocou uma crise no processo eleitoral, levando a população a exigir a renúncia do chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), Piero Corvetto.
Prisão de funcionário do Onpe
No âmbito das investigações relacionadas à eleição, a polícia prendeu na segunda-feira José Samamé Blas, que é o gerente de gestão eleitoral do Onpe. Ele está sendo investigado por suposta omissão, recusa ou atraso no cumprimento de seu dever durante o processo eleitoral.
Para assegurar o direito ao voto, o Tribunal Eleitoral decidiu, já no domingo, permitir a continuidade da votação em 13 seções eleitorais, abrangendo cerca de 53 mil eleitores. A votação teve que ser realizada na segunda-feira, o que fez com que as autoridades eleitorais prosseguissem com a contagem dos votos, que continuou pelo terceiro dia consecutivo até ontem. Esse ritmo de apuração lenta é reminiscentes das eleições presidenciais passadas no Peru, como a de 2021, em que a contagem final foi concluída apenas cinco dias após o fechamento das urnas.
Além disso, uma missão de observação eleitoral da União Europeia declarou ontem que não encontrou “motivos suficientes” para corroborar as alegações de fraude que foram levantadas após as denúncias feitas por López Aliaga.
Novo Congresso em jogo
Outro aspecto significativo desta eleição é que, pela primeira vez em mais de três décadas, os eleitores também são convocados a escolher novos membros para um Congresso bicameral, uma mudança implementada por reformas legislativas recentes que atribuem maior poder ao novo Senado. Segundo informações do Tribunal Eleitoral, mais de 6 mil candidatos se inscreveram para concorrer às 130 cadeiras da Câmara dos Deputados, enquanto outros 3 mil disputam os 60 postos disponíveis no Senado.
Vale destacar que, em caso de insatisfação com o atual presidente, destituí-lo será um processo mais fácil a partir de agora. Anteriormente, eram necessários 87 votos de um total de 130 parlamentares em um Congresso unicameral para que isso fosse possível. Com a nova configuração, o Senado poderá destituir o presidente com apenas 40 votos de um total de 60 senadores. Além disso, o Senado terá o poder de revisar e modificar projetos de lei que forem aprovados pela Câmara.
Fonte:: estadao.com.br


