O inverno foi oficialmente anunciado no Paraná no último domingo, 21 de junho. Na segunda-feira, 22 de junho, o pinhão, um dos alimentos mais característicos da região, ganhou destaque especial na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde um projeto de lei que o declara Patrimônio Cultural Imaterial do Estado foi aprovado com 46 votos a favor e nenhum contra.
Originário da araucária, a árvore que simboliza o Paraná, o pinhão não é apenas um alimento típico, mas também carrega consigo uma rica história e identidade cultural. Este alimento está presente nas mesas do interior e nas cidades, sendo frequentemente consumido em festas comunitárias, feiras, receitas tradicionais e restaurantes, além de ser parte importante da vida de milhares de produtores e trabalhadores. Essa cadeia produtiva, que envolve a colheita e a comercialização do pinhão, sustenta muitas famílias paranaenses.
O projeto de lei, de autoria do deputado Gilberto Ribeiro (PL), fará com que o Estado passe a incentivar ações de valorização cultural do pinhão, incluindo eventos, feiras, atividades educativas e projetos que busquem aproximar as novas gerações dessa importante herança cultural. O deputado ressaltou a relevância dessa iniciativa, destacando que o pinhão é um alimento que atravessa gerações e ocupa um lugar especial na cultura paranaense. “Era surpreendente que o pinhão ainda não tivesse esse reconhecimento oficial como patrimônio cultural. Ele ganha vida nas mesas das famílias, movimenta a economia local e representa a alma do nosso Estado”, declarou Ribeiro.
O pinhão não é um alimento recente na cultura da região; ele já foi uma base essencial na alimentação dos povos indígenas do Sul do Brasil. Ao longo do tempo, o pinhão enfrentou diversas transformações sociais e econômicas, mas permanece como um grande símbolo de pertencimento para os paranaenses. Em 2025, a safra de pinhão no Paraná atingiu cerca de 2,1 mil toneladas, e a colheita para a temporada de 2026 foi oficialmente liberada em 15 de abril.

Pinhão na Chapa – Foto: Gilson Abreu/AEN
Entendendo o patrimônio imaterial
O conceito de patrimônio imaterial abrange bens intangíveis que guardam saberes, festividades, expressões culturais e locais significativos para a identidade de um povo. Ao contrário de monumentos físicos, esse tipo de patrimônio reside nas tradições, técnicas e práticas passadas de geração para geração. Um importante marco nesse reconhecimento foi o Decreto nº 4841, de 16 de agosto de 2016, que instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, ampliando o Patrimônio Cultural Paranaense.
Além disso, a Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná tem se empenhado em projetos junto às comunidades, oferecendo apoio nas esferas de patrimônio arquitetônico, natural, arqueológico, manifestações culturais e patrimônio documental. Estas ações visam assegurar, a longo prazo, a preservação, conservação e divulgação do patrimônio cultural do Paraná, tanto dentro quanto fora do Estado.
Fonte:: bemparana.com.br




