Mostra em Curitiba reúne filmografia completa de Ruy Guerra, cofundador do Cinema Novo

Redação Rádio Plug
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Foto: Foto: Kaio Caiazzo /Amuleto Filmes

A capital paranaense se prepara para receber uma ampla retrospectiva dedicada à trajetória de Ruy Guerra, um dos nomes fundamentais na fundação do Cinema Novo e figura central da cultura nacional. O evento cinematográfico acontecerá na CAIXA Cultural Curitiba, com programação voltada para exibir quase a totalidade da filmografia do diretor entre os dias 12 e 23 de agosto.

A iniciativa cultural conta com uma seleção robusta composta por 17 longas-metragens, além de dois documentários que abordam diretamente a vida e a obra do cineasta. O público terá a oportunidade de acompanhar produções que marcaram diferentes épocas do audiovisual brasileiro, refletindo também parcerias históricas de Guerra com grandes ícones da literatura e da música, como Gabriel García Márquez, Chico Buarque, Edu Lobo e Milton Nascimento.

O recorte temporal da mostra abrange desde o polêmico e aclamado filme de estreia do diretor, Os Cafajestes (1962), até sua realização mais recente, A Fúria (2024). Este último título encerra a chamada “Trilogia dos Fuzis”, conjunto de obras que teve início com Os Fuzis (1964) e teve continuidade com A Queda (1978). Outro destaque expressivo da programação é a exibição do raríssimo Ternos Caçadores (1969), película francesa que passou longos anos fora de circulação e que retorna às telas totalmente restaurada em resolução 4K.

Master class e debates sobre a obra

Além das exibições na telona, a programação oficial reserva momentos de troca direta entre o cineasta e os espectadores. No dia 14 de agosto, às 19h30, Ruy Guerra conduzirá uma master class exclusiva. Na ocasião, o diretor abordará os processos de construção artística e política que fundamentam a trilogia formada por Os Fuzis, A Queda e A Fúria, filmes que conectam seis décadas da história do país através de um eixo narrativo comum.

Para complementar a experiência, a organização preparou o lançamento de um catálogo digital inédito. O material traz uma extensa entrevista concedida pelo cineasta ao curador e organizador da mostra, Aristeu Araújo. O documento oferece um panorama detalhado sobre as influências literárias, o pensamento estético e os bastidores da longa carreira do artista.

Nascido em Moçambique durante o período em que o território era colônia portuguesa, Ruy Guerra iniciou sua formação em Paris, na mesma época em que ganhava força o movimento da Nouvelle Vague. Sua chegada ao Brasil ocorreu em 1958, trazendo na bagagem uma sólida base teórica e prática que impulsionou a criação do Cinema Novo, ao lado de nomes exponenciais como Glauber Rocha e Cacá Diegues.

Desafios da preservação audiovisual

Ttrazer um panorama tão vasto para o público exigiu um trabalho intenso de pesquisa e arqueologia cinematográfica. De acordo com o curador Aristeu Araújo, grande parte das obras do cineasta enfrentava o risco do esquecimento devido à deterioração de materiais antigos e à dificuldade de acesso a cópias originais.

“Reunir esta retrospectiva significou localizar materiais espalhados em diferentes acervos, avaliar inúmeras versões e buscar sempre a melhor cópia disponível para cada filme”, pontua o curador, ressaltando o esforço minucioso para garantir exibições de alta qualidade.

Entre os documentários que compõem a grade de programação estão Tempo Ruy (2021), dirigido por Adilson Mendes, e O Homem que Matou John Wayne (2015), assinado por Bruno Laet e Diogo Oliveira, obras que ampliam a compreensão sobre o pensamento estético do realizador.

Mantendo sua vitalidade criativa e seu clássico senso de humor aos 95 anos, Ruy Guerra projeta novos passos para o futuro. “Decidi que vou viver até os 117 anos. Até os 100 ainda quero fazer cinema. Depois disso pretendo voltar ao meu primeiro amor, que sempre foi a literatura”, costuma afirmar o diretor, cuja filmografia permanece atual ao discutir temas universais como poder, justiça social e liberdade.

Serviço

A Retrospectiva Ruy Guerra ocorre na CAIXA Cultural Curitiba entre os dias 12 e 23 de agosto. A curadoria é assinada por Aristeu Araújo, cineasta com passagens pela montagem de longas premiados e amplo histórico em curadorias de mostras dedicadas à sétima arte.

Fonte:: bemparana.com.br

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