Quem é Karyna Shuliak, a última namorada de Jeffrey Epstein e herdeira milionária

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Em um consultório odontológico comum localizado no centro do Brooklyn, em Nova York, uma dentista atendia seus pacientes vestindo uma jaqueta da Universidade Columbia e com os cabelos presos por uma presilha. Para quem passava por ali, ela era apresentada simplesmente como “Karyna”. No entanto, a paciente que se sentou na cadeira em dezembro de 2024 ignorava completamente que estava sendo tratada por Karyna Shuliak, companheira de longa data do criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Documentos divulgados por autoridades federais revelam que Shuliak foi a última pessoa para quem Epstein ligou antes de cometer suicídio em sua cela, em 2019. Além disso, ela pode herdar uma quantia estimada em até US$ 100 milhões do espólio do financista, valor que inclui um anel de diamante de 33 quilates. O anonimato da dentista, contudo, ruiu após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornar públicas cerca de três milhões de páginas de e-mails, arquivos investigativos e fotografias que expuseram os bastidores de sua relação de quase oito anos com Epstein.

De Belarus a Nova York

Nascida em Belarus, Karyna Shuliak chegou a Nova York com um visto de estudante em 2010 para aprimorar o inglês e tentar validar seus estudos em odontologia iniciados em seu país natal. Trabalhando inicialmente como assistente de dentista por cerca de US$ 15 a hora, ela foi apresentada a Epstein em março de 2011 por outra jovem imigrante da Sibéria.

Nos primeiros meses, conforme os registros, Shuliak demonstrou resistência às investidas de Epstein e recusou ofertas de ajuda financeira, citando notícias sobre os antecedentes criminais do financista. Contudo, Epstein — que na época tinha 58 anos — manteve a aproximação oferecendo presentes, viagens de helicóptero e passeios pela Broadway, além de acesso a suas propriedades no Novo México e nas Ilhas Virgens Americanas. Com o tempo, ela aceitou o apoio e passou a integrar o círculo próximo do criminoso.

Apoio na odontologia e cidadania

O relacionamento abriu portas profissionais e acadêmicas para Shuliak. Os e-mails mostram que Epstein interveio para facilitar sua admissão na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Columbia, em 2012, mantendo contato com administradores e oferecendo doações à instituição de ensino. Epstein também arcou com as mensalidades do curso.

Para contornar a situação imigratória da jovem, cujo visto de estudante havia expirado, Epstein arquitetou um plano em 2013. Utilizando a legislação do estado de Nova York que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ele organizou a união entre Shuliak e uma de suas assistentes. O casamento permitiu que Shuliak obtivesse um “green card” e, posteriormente, a cidadania americana em 2018, antes de se divorciar no ano seguinte.

A rotina e o legado

Enquanto mantinha o relacionamento, Shuliak auxiliava na administração das propriedades e dos funcionários de Epstein, organizando desde detalhes logísticos até reformas em imóveis. Embora os registros mostrem que o casal discutia frequentemente sobre a presença de outras mulheres na vida de Epstein, Shuliak manteve-se próxima até a prisão dele em julho de 2019.

Após a morte de Epstein, descobriu-se que ele havia alterado seu testamento para contemplá-la com uma parcela significativa de sua fortuna. Embora o montante exato varie devido a indenizações pagas às vítimas, Shuliak continua sendo uma das principais beneficiárias.

Recentemente, após concluir programas de pós-doutorado e obter sua licença para atuar em Nova York, Shuliak tentou manter discrição profissional. Contudo, após a repercussão dos arquivos federais e o reconhecimento por parte de pacientes que frequentavam o consultório no Brooklyn, ela encerrou suas atividades no local. Representantes legais da dentista optaram por não comentar o caso.

Fonte:: estadao.com.br

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