A Justiça do Peru tomou a decisão na última quinta-feira, dia 13, de anular a condenação de 15 anos de reclusão imposta anteriormente à ex-primeira-dama Nadine Heredia. Ela enfrentava acusações formais de lavagem de dinheiro decorrentes do suposto recebimento de recursos financeiros da construtora brasileira Odebrecht para fins políticos.
Para chegar a esse entendimento, o Tribunal Superior Nacional fundamentou sua decisão na aplicação de um decreto recente emitido pelo Tribunal Constitucional (TC). Essa mesma diretoria da mais alta corte do país já havia determinado a soltura do ex-presidente Ollanta Humala, que esteve à frente do governo peruano entre os anos de 2011 e 2016. Tanto Ollanta quanto sua esposa haviam sido sentenciados em abril de 2025 sob a acusação de terem aceitado contribuições financeiras consideradas ilegais, oriundas tanto da empreiteira brasileira quanto da gestão do governo venezuelano, para financiar campanhas presidenciais do casal.
Desdobramentos judiciais e asilo político
Logo após a imposição da sentença condenatória inicial, a ex-primeira-dama optou por deixar seu país de origem e buscou refúgio por meio de asilo político em solo brasileiro, onde atualmente reside na companhia de seu filho. Enquanto isso, o ex-presidente Humala permaneceu detido até que foi libertado em 3 de agosto, após uma ordem do TC.
Diante do cenário jurídico reformulado, o Tribunal Superior decidiu estender formalmente “os efeitos da sentença do TC em favor de Nadine Heredia Alarcón”, contemplando também outros oito indivíduos que respondiam aos mesmos processos. A corte apontou que tal medida foi tomada “após se verificar que as acusações decorrem da mesma acusação-matriz” originalmente formulada pelo Ministério Público peruano.
Com essa reviravolta no processo, o judiciário ordenou o “arquivamento definitivo” de todas as acusações atreladas ao caso específico, além de determinar a imediata revogação e o levantamento de quaisquer mandados de prisão de âmbito internacional que haviam sido emitidos contra Nadine.
Defesa contínua e negação das acusações
Ao longo de todo o trâmite processual e durante as fases de julgamento, o casal manteve uma postura de firme negativa em relação às acusações. Tanto a ex-primeira-dama quanto o ex-presidente sustentaram publicamente que jamais aceitaram ou tomaram conhecimento de repasses financeiros ilícitos vindos da administração de Hugo Chávez ou de qualquer corporação empresarial originária do Brasil.
Fonte:: estadao.com.br




