Escassez de especialistas em terras-raras desafia o Brasil no setor mineral

Redação Rádio Plug
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Brasil tem 2ª maior reserva de terras-raras do ...

O avanço do Brasil para etapas mais avançadas na cadeia produtiva de minerais críticos enfrenta um obstáculo significativo: a escassez de mão de obra especializada. De acordo com avaliações da ANM (Agência Nacional de Mineração), o país conta atualmente com menos de 50 profissionais com formação técnica específica voltada para a separação de elementos de terras-raras, etapa considerada um dos maiores desafios da exploração desses recursos.

Historicamente, a participação brasileira no mercado internacional de minerais críticos tem se limitado à extração e à exportação da matéria-prima. A transição para fases de maior valor agregado, como o processamento, beneficiamento e a transformação industrial, constitui uma das principais metas da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo após a formalização da nova legislação, a agência reguladora destacou que a deficiência de quadros técnicos qualificados representa um dos principais gargalos para o desenvolvimento industrial do setor. Embora o território nacional abrigue cerca de 25% das reservas mundiais de minerais críticos e detenha a segunda maior reserva de terras-raras do planeta, o país ainda carece da infraestrutura tecnológica e de profissionais capacitados para conduzir procedimentos complexos.

O processo químico e industrial de separação consiste em isolar elementos individuais a partir do minério bruto extraído da natureza. Sem essa purificação, os materiais não podem ser aproveitados na fabricação de produtos de alta tecnologia, a exemplo de motores para veículos elétricos, turbinas eólicas, aparelhos celulares e componentes de defesa.

Atualmente, o mercado global é dominado pela China, que controla mais de 90% da cadeia de terras-raras, abrangendo desde a extração até o refino avançado. Diante desse cenário, potências ocidentais como os Estados Unidos e a União Europeia têm intensificado o interesse no potencial geológico brasileiro para estabelecer parcerias estratégicas e mitigar a dependência do fornecimento asiático.

Em viagem realizada ao Brasil, o Comissário de Parcerias Internacionais da União Europeia, Jozef Sikela, declarou que o bloco pretende colaborar com o desenvolvimento brasileiro, oferecendo suporte tecnológico em atividades de refino e processamento industrial.

Estratégias de formação e pesquisa no país

Dados levantados pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos indicam que o Brasil precisará capacitar pelo menos 500 especialistas em separação de terras-raras até o ano de 2040 para suprir a demanda futura.

Para viabilizar essa meta, a nova política nacional instituiu mecanismos para estreitar os laços entre o setor mineral, universidades, startups e centros tecnológicos por meio da RNMCE (Rede Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Formação Profissional em Minerais Críticos e Estratégicos).

Conforme aponta a ANM, a legislação busca preencher essa lacuna ao articular instituições de ensino e empresas em prol de programas estruturados de capacitação profissional.

Além da articulação acadêmica, a norma determina que as companhias mineradoras atuantes no segmento destinem anualmente uma porcentagem de sua receita bruta para projetos de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação):

  • Durante os primeiros seis anos de vigência, as empresas devem investir no mínimo 0,3% da receita em iniciativas de PD&I;
  • Após o sexto ano, o patamar mínimo obrigatório para aportes diretos em inovação e pesquisa sobe para 0,5%.

Fonte:: poder360.com.br

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