Os registros de propostas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral pelos postulantes ao cargo máximo do Executivo nacional apresentam baixa conformidade com as diretrizes internacionais e nacionais voltadas para a Inteligência Artificial (IA). Um levantamento conduzido pela consultoria de inovação Cultura de IA avaliou os documentos oficiais e constatou que a maioria das diretrizes fundamentais para o setor é negligenciada pelas campanhas.
De acordo com a pesquisa, apenas 17% das propostas incorporam as recomendações formais enviadas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao país. No panorama geral, os textos contemplam 53% dos tópicos previstos no PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) e 41% das diretrizes estabelecidas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O estudo estruturou a análise com base em 27 critérios divididos em três frentes: os cinco eixos do plano ministerial brasileiro, as cinco recomendações governamentais da OCDE e as 17 diretrizes da Unesco divulgadas em 2025. Cada item recebeu pontuação de 0 a 2, gerando um Índice de Aderência Institucional que vai de 0 a 100. A metodologia priorizou a existência de propostas práticas em vez da simples repetição da palavra-chave.
Clique aqui para abrir em outra aba.
if(“undefined”==typeof window.datawrapper)window.datawrapper={};window.datawrapper[“oUxiq”]={},window.datawrapper[“oUxiq”].embedDeltas={“100″:996,”200″:837,”300″:812,”400″:795,”500″:770,”600″:753,”700″:753,”800″:753,”900″:753,”1000”:753},window.datawrapper[“oUxiq”].iframe=document.getElementById(“datawrapper-chart-oUxiq”),window.datawrapper[“oUxiq”].iframe.style.height=window.datawrapper[“oUxiq”].embedDeltas[Math.min(1e3,Math.max(100*Math.floor(window.datawrapper[“oUxiq”].iframe.offsetWidth/100),100))]+”px”,window.addEventListener(“message”,function(a){if(“undefined”!=typeof a.data[“datawrapper-height”])for(var b in a.data[“datawrapper-height”])if(“oUxiq”==b)window.datawrapper[“oUxiq”].iframe.style.height=a.data[“datawrapper-height”][b]+”px”});
Os especialistas apontam que o desequilíbrio nos resultados demonstra uma preferência das campanhas por pautas ligadas à infraestrutura e à aplicação comercial da tecnologia, em detrimento de discussões cruciais sobre governança, salvaguardas e proteção de direitos civis. Há forte ênfase em atração de investimentos para centros de dados e na digitalização de serviços de saúde e segurança, enquanto temas como fiscalização e conformidade internacional recebem pouca atenção.
O levantamento englobou os programas de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Partido Democrata), Renan Santos (Missão), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO) e Leonardo Avalanche (PRTB).
Ausência total do tema em quatro propostas
Do total de textos protocolados, quatro não trazem nenhuma menção ao termo inteligência artificial. Os documentos pertencem a Edmilson Costa, Samara Martins, Wilson Grassi e Rui Costa Pimenta. Analistas consideram preocupante a omissão do assunto em um cenário de rápida transformação econômica global impulsionada pela inovação digital.
Além disso, nenhum dos registros faz referência explícita ao PL 2.338 de 2023, que institui o marco legal para o setor e atualmente tramita no Poder Legislativo.
Foco em infraestrutura e dados
Entre os tópicos que aparecem com maior frequência estão a criação de parques tecnológicos, a expansão de data centers e a incorporação de ferramentas digitais no atendimento à população. O programa de Ronaldo Caiado liderou o índice de aderência, alcançando 93 pontos, com propostas que incluem incentivos fiscais atrelados a pesquisas nacionais, desenvolvimento de semicondutores e regulamentação baseada em análise de risco.
No grupo dos candidatos com maior destaque nas pesquisas, a proposta de Luiz Inácio Lula da Silva registrou 71 pontos, concentrando-se em computação soberana, modelos linguísticos nativos em português e salvaguardas ambientais para o funcionamento de grandes estruturas de processamento de dados. O levantamento também pontuou que o governo atual possui uma base de execução em andamento por meio do PBIA, que já utilizou parte dos recursos previstos até o final de 2025, embora áreas como regulação sigam sem repasses financeiros significativos.
Por sua vez, o plano de Flávio Bolsonaro atingiu 46 pontos, destacando a aplicação da tecnologia em pequenas empresas, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na fiscalização ambiental, mas apresentando menor pontuação em cooperação internacional e governança institucional segundo os critérios da OCDE.
Desafios na execução e saúde em destaque
O setor da saúde pública destacou-se como a área com maior penetração nos textos analisados, estando presente em nove das propostas governamentais para otimização de serviços via tecnologia. Em contrapartida, diretrizes voltadas para a salvaguarda de direitos fundamentais — como restrições ao reconhecimento facial automatizado e proteção contra vieses algorítmicos — apareceram de forma isolada.
Para os próximos anos, os especialistas alertam que a gestão federal precisará equilibrar a expansão tecnológica com a transição energética exigida pelo consumo elétrico dos data centers, além de preparar o mercado de trabalho para as mudanças trazidas pela automação em larga escala.
Fonte:: poder360.com.br


