Segundo Carlos Baigorri, presidente da Anatel, é fundamental que o Brasil se empenhe em desenvolver aplicações de inteligência artificial (IA) e em melhorar o uso das telecomunicações para garantir uma posição de destaque no cenário tecnológico até 2030. Durante sua participação no GSMA Digital Nation Summit, ocorrido no dia 30 de junho em São Paulo, ele destacou a importância de superar os desafios de conectividade e de criar um modelo econômico eficaz que permita que as redes cheguem efetivamente aos usuários.
“Superamos a barreira de fornecer rede de telecomunicação a áreas carentes. Agora, nosso foco é estabelecer um modelo econômico que promova a criação de soluções e determinações regulatórias que assegurem que a infraestrutura chegue a todos os cidadãos”, comentou Baigorri.
Um dado importante que ilustra a evolução da conectividade no Brasil é o aumento no número de pessoas conectadas à internet. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) — TICs, em 2024, a taxa de acesso à internet atingiu 89,1% da população com 10 anos ou mais, o que representa um crescimento de 6,1 milhões em relação aos últimos dois anos. Comparando com anos anteriores, em 2019, esse índice era de 79,5%, e, no início da série, em 2016, apenas 66,1% dos brasileiros utilizavam a internet.
Não obstante, Baigorri levantou questões sobre a acessibilidade à internet, destacando que, mesmo com o aumento da infraestrutura, uma parte da população não está aproveitando os serviços disponíveis. Ele afirmou que os dados da PNAD revelam que, embora muitas residências tenham acesso à internet, alguns indivíduos não contratam o serviço por falta de entendimento sobre sua utilidade ou simplesmente por considerarem que não necessitam. “Se a pessoa não sabe para que serve, ou diz que não precisa, é uma sinalização de que, no fundo, há uma desconexão com a utilidade do serviço”, refletiu.
Além da urgência em desenvolver habilidades digitais, Baigorri enfatizou que o acesso à tecnologia necessária, como os dispositivos 5G, é vital. Atualmente, o custo desses terminais é um empecilho. “Hoje, 70% da população não tem acesso à tecnologia 5G standalone. Além disso, uma parcela significativa dos celulares vendidos ainda é de 4G, uma vez que esses aparelhos são consideravelmente mais acessíveis em comparação aos 5G”, ressalta. Para ele, o principal obstáculo para a expansão do 5G no Brasil é o alto custo dos smartphones, e não propriamente a rede de telecomunicações.
Em relação ao crescimento do mercado de inteligência artificial, Carlos Baigorri compartilhou sua visão sobre as oportunidades que o Brasil possui de se destacar nas aplicações de IA. “Embora não tenhamos certeza se seremos competitivos em áreas como GPUs ou data centers, temos um grande potencial nas aplicações, que são as interações diretas com os cidadãos. O maior valor gerado está no uso de aplicativos”, explicou, referindo-se a como os consumidores, ao adquirirem smartphones 5G, o fazem com a perspectiva de utilizar serviços como Netflix, Mercado Livre e Amazon Prime.
Baigorri afirmou que as inovações que realmente trazem valor para a população e para os negócios derivam das aplicações desenvolvidas por cima dessas tecnologias. “As aplicações são onde se encontra o valor, não as tecnologias como LLM ou as GPUs da Nvidia. O que gera efetivamente valor para as pessoas e empresas são as soluções aplicativas que emergem desse contexto. Para isso, é necessário olhar além da tecnologia e estimular a criatividade e o espírito empreendedor”, concluiu. Segundo ele, ao desbloquear a criatividade e fomentar a inovação, o Brasil pode emergir como um ator significativo no mercado de inteligência artificial.
Fonte:: convergenciadigital.com.br




