Eaf adota modelo de operadora virtual para nova rede privativa do governo

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) decidiu expandir a Rede Privativa Móvel do Governo Federal utilizando o modelo de Operadora Móvel Virtual Segura, conhecido pela sigla em inglês SMVNO. A decisão estratégica foi tomada para assegurar a viabilidade financeira e a eficiência operacional da iniciativa em âmbito nacional.

A escolha por esse formato específico surgiu após análises técnicas e econômicas indicarem que a construção de uma infraestrutura física totalmente nova na faixa de 700 MHz seria inviável. Manter milhares de antenas exclusivas para atender inicialmente a cerca de 31.500 usuários concentrados no Distrito Federal geraria despesas incompatíveis com a proposta de economia de recursos públicos. Para contornar esse obstáculo, a EAF buscou inspiração em referências internacionais consolidadas, a exemplo da FirstNet nos Estados Unidos e da RRF na França.

De acordo com o diretor de operações (COO) da EAF, Geraldo Segatto, a medida representa a solução para uma deficiência histórica na infraestrutura de comunicação do país. O executivo ressalta que a rede privada do governo é o alicerce para estabelecer uma comunicação crítica exclusiva, voltada principalmente para integrar as forças de segurança pública e equipes de atendimento a emergências, conforme prevê a legislação federal, permitindo também a evolução para novos serviços exigidos por essas corporações.

Arquitetura tecnológica e segurança avançada

No modelo adotado, cabe à EAF a implantação e a gestão do núcleo da rede, estruturado como um ambiente próprio e dedicado onde operam os sistemas de inteligência e proteção de dados. Enquanto isso, a capilaridade e a distribuição do sinal ficam a cargo de operadoras comerciais parceiras, viabilizando uma expansão rápida por todo o território nacional. A arquitetura exige a utilização de gateways avançados, múltiplos mecanismos de segurança e um gerenciamento rigoroso do tráfego, seguindo integralmente as diretrizes do padrão internacional 3GPP.

A sustentabilidade financeira a longo prazo é um dos pilares para o avanço da rede. Atualmente, o Ministério das Comunicações e a Telebras trabalham em conjunto para finalizar o plano de negócios que garantirá os recursos necessários para custear a operação e a manutenção contínua da infraestrutura.

Com o financiamento assegurado, o projeto se prepara para avançar simultaneamente em duas frentes fundamentais: a contratação definitiva do núcleo tecnológico, considerado o centro de comando da rede, e o lançamento de um processo de seleção para definir as empresas de telecomunicações que atuarão como parceiras na prestação do serviço móvel. A estratégia prevê a contratação de duas operadoras distintas, criando um sistema de redundância na cobertura indispensável para proteger as agências de segurança contra eventuais interrupções de sinal.

Superação da fragmentação e prioridade no tráfego

A iniciativa da EAF busca solucionar um problema histórico de fragmentação nas comunicações de segurança pública no Brasil, situação frequentemente observada em operações conjuntas de grande porte. Atualmente, mais de 100 órgãos governamentais utilizam redes isoladas baseadas em tecnologias distintas, como TETRA, P25 e DMR, que não conseguem se comunicar entre si.

A etapa inicial do projeto, já implementada no Distrito Federal, conseguiu romper essa barreira ao integrar de maneira inédita as operações da Polícia Militar do Distrito Federal, das polícias legislativas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, além das Forças Armadas. A integração foi realizada por meio da plataforma de missão crítica MCx, desenvolvida pela Motorola, beneficiando diversas outras entidades de defesa e atendimento a emergências.

Como próximo passo regulatório, tratativas em andamento com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) buscam implementar as funções de Prioridade e Preempção. O recurso tecnológico funciona como uma espécie de sirene digital, garantindo que, em momentos de alta demanda ou congestionamento das redes comerciais — como em grandes eventos públicos —, os agentes de segurança tenham prioridade absoluta no tráfego de dados móveis.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo