O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresentou um conjunto abrangente de orientações voltado para a regulamentação das plataformas digitais no país. O documento recém-lançado reúne 46 diretrizes estruturadas em seis eixos temáticos interdependentes, formando uma matriz unificada de referência para subsidiar debates no Congresso Nacional, no Poder Judiciário e em órgãos reguladores.
A iniciativa consolida discussões de longo prazo conduzidas pelo colegiado multissetorial e é um desdobramento direto dos dez princípios apresentados pelo Comitê anteriormente. A elaboração do material também incorporou contribuições colhidas em consultas públicas realizadas com a sociedade civil, especialistas e o setor privado ao longo dos últimos anos.
De acordo com os organizadores, o modelo conceitual foi desenvolvido sob os pilares da regulação assimétrica — que impõe obrigações diferenciadas conforme o porte, o faturamento e o alcance de cada empresa — e da proporcionalidade. Dessa forma, as exigências mais rigorosas recaem sobre as grandes corporações, sem sufocar a inovação ou inviabilizar a atuação de pequenos provedores e redes comunitárias.
Os seis eixos temáticos das diretrizes
O documento detalha uma série de medidas práticas divididas em áreas estratégicas para o ecossistema digital brasileiro:
- Soberania e jurisdição nacional: Recomenda que plataformas estrangeiras mantenham representação legal no Brasil quando ofertarem serviços ao público local. O texto também sugere ações firmes para mitigar interferências em processos eleitorais, incluindo o combate a disparos em massa e a proibição de monetizar conteúdos antidemocráticos.
- Transparência: Estabelece deveres claros sobre a moderação de conteúdos, exigindo que as empresas publiquem métricas de remoção e mantenham equipes humanas capacitadas para compreender o contexto cultural do país. Há também diretrizes para a rotulagem obrigatória de mídias sintéticas geradas por inteligência artificial.
- Economia e concorrência: Propõe limites à autopreferência por parte de plataformas dominantes e defende a interoperabilidade entre diferentes redes sociais, permitindo maior liberdade de escolha e comunicação entre os usuários.
- Direitos humanos: Orienta a implementação de auditorias contra a discriminação algorítmica e incentiva a remuneração justa pelo uso de conteúdos jornalísticos, fortalecendo a circulação de informações de interesse público.
- Prevenção e responsabilidade: Vincula o grau de responsabilidade da plataforma ao nível de interferência que ela exerce na distribuição de conteúdos por meio de algoritmos. O texto prioriza denúncias de entidades especializadas e o uso de ferramentas de checagem de fatos.
- Governança e regulação assimétrica: Defende a aplicação de critérios quantitativos e qualitativos na fiscalização e reforça a importância de uma governança multissetorial, integrando governo, setor privado, academia e sociedade civil.
Para conferir todos os detalhes sobre a fundamentação conceitual da iniciativa, acesse os 10 Princípios para a Regulação de Plataformas de Redes Sociais divulgados pelo Comitê.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


